Commodities Agrícolas
Novo recuo As cotações dos contratos futuros do açúcar demerara sofreram a segunda perda consecutiva ontem na bolsa de Nova York, apesar da "pressão altista" que o clima no Brasil exerce sobre os preços da commodity. O país é o maior produtor e exportador de açúcar do mundo e ainda há déficit hídrico no Centro-Sul. Os papéis com entrega em julho fecharam o dia em queda de 30 pontos (0,3%), cotados a 17,92 centavos de dólar por libra-peso. A preocupação com a economia chinesa, que registrou déficit comercial em fevereiro, retornou aos principais mercados em que o país asiático é um forte comprador, inclusive o de açúcar. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal em São Paulo acompanhou o movimento em Nova York e caiu 0,23%, para R$ 51,74.
Influência externa Os preços do café arábica seguiram a tendência geral das principais commodities agrícolas negociadas na bolsa de Nova York e encerraram em queda ontem. Os contratos com vencimento em maio fecharam com desvalorização de 35 pontos, a US$ 2,0530 por libra-peso. O recuo, ainda que marginal, quebrou a série de altas dos últimos três dias, mas a cotação da commodity ainda se manteve acima do nível técnico e psicológico de US$ 2 por libra-peso. Conforme analistas, o arábica foi afetado pelo movimento de realização de lucros que pressionou as agrícolas em Nova York, em meio às incertezas com relação à demanda da China. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de café ficou em R$ 483,97, com baixa de 0,21%.
China preocupa As cotações da soja fecharam em queda ontem na Bolsa de Chicago em meio a temores de que a China possa cancelar novos carregamentos do grão americano em favor da oleaginosa brasileira. Pesou também sobre as cotações o cenário pessimista sobre o desempenho da economia chinesa. Os papéis com vencimento em maio caíram 1,8%, para US$ 13,87 por bushel. Também tiveram perdas os contratos de longo prazo, o que indica que os investidores estão trocando os papéis, segundo Bruno Perettoni, analista da corretora Terra Investimentos. Desde sexta-feira, o spread entre os contratos para entregas em maio e novembro caiu 21,85%, segundo dados da corretora Granoeste. No mercado interno, a saca fechou estável em R$ 73,21, segundo Indicador Cepea/Esalq em Paranaguá.
Seca ainda preocupa Os preços futuros do trigo tiveram altas expressivas nas bolsas americanas ontem, novamente refletindo o clima adverso nos EUA, maior exportador do cereal. Em Chicago, os contratos para maio subiram 24,75 centavos, a US$ 6,8375 por bushel. Em Kansas, os papéis de mesmo vencimento apresentaram elevação de 19,25 centavos, a US$ 7,4775 por bushel. As lavouras em Oklahoma, Kansas e Texas, atualmente em fase de dormência, estão sofrendo com uma estiagem que já dura quase um mês. A situação pode se agravar com as tempestades de inverno no Meio-Oeste, onde se cultiva uma variedade de trigo própria para biscoitos, bolos e alimentação animal. No mercado doméstico, o preço médio do trigo no Paraná subiu 1,63%, para R$ 789,95 por tonelada, segundo o Cepea/Esalq.