Produção de caju da Bahia caiu 80% na última safra
A cadeia da cajucultura está articulando uma reação às perdas dos últimos anos, através do Plano Estadual de Desenvolvimento da Cajucultura da Bahia 2014 2019. Elaborado pelo governo estadual, o plano será executado pelos 750 cooperados da Cooperativa de Cajucultores Familiares do Nordeste da Bahia (Red Cooperacaju) e por entidades parceiras.
A cultura vem registrando quedas na produção desde 2011, por causa da seca. Só na última safra, principalmente devido a pragas, a colheita registrou redução de 80%. Uma das principais metas do plano é aumentar a produtividade, para elevar a produção da castanha de caju parte mais rentável do fruto em 30%, ultrapassando sete mil toneladas ao ano.
A iniciativa também prevê a criação de dois mil novos postos de trabalho e a instalação de uma biofábrica para produzir até 300 mil mudas por ano. Esse material ajudará a renovar a lavoura, ampliando a área de caju anão precoce, de melhor manejo e produção mais regular que o cajueiro comum. Pesquisador chefe do Centro de Formação de Agricultores Familiares do Território Semiárido Nordeste II da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (Centrenor/Ebda), José Augusto Garcia diz que algumas ações começarão ainda este ano. Uma delas é a distribuição de 30 mil mudas, a partir de junho.
O plano é fruto das discussões dos grupos de trabalho do Seminário de Fortalecimento da Cajucultura da Bahia, realizado há duas semanas em Ribeira do Pombal, quando também foi lançado. A região reúne os municípios que mais produzem caju.
Central de cooperativas
A Cooperacaju é uma espécie de central das cooperativas de 21 municípios. A rede realiza novos postos de trabalho resultarão da implantação do Plano daCajucultura. Entre as ações, a iniciativa prevê a criação de uma biofrábrica para produzir 300 mil mudas por ano o beneficiamento e a comercialização da produção. Os cooperados costumavam usar as sete minifábricas, criadas com recursos da Fundação Banco do Brasil
(FBB) e do BNDES há oito anos, em Banzaê, Cícero Dantas, Lamarão, Olindina, Ribeira do Amparo, Novo Triunfo e Tucano. Hoje, só duas delas funcionam. Mas a queda da produção tem sido a principal dificuldade.
“Não adianta ter a minifábrica se não há a matéria-prima”, diz o consultor para cajucultura da Fundação, Jesiel Campos. A FBB investirá em alguns pontos do plano, como a compra de máquinas e o apoio à assistência técnica. Fungo é uma das principais preocupações dos produtores. O fungo oídio tem preocupado os produtores baianos.
Em reportagem publicada nesta página, em 13 de janeiro, dados da Ebda mostravam que a queda na produção da safra 2013/2014, em relação à 2012/2013, foi de 70%. Comparada ao quantitativo normal da safra, de 6 mil toneladas anuais de caju, a queda foi de 80%. Esse prejuízo, em grande parte causado pelo fungo, é maior do que o da seca, que foi de 30% no auge dela, na safra 2012/2013. A demanda dos produtores, debatidas no Seminário, em Ribeira do Pombal, é de restruturação da assistência técnica rural, para que ajude a prevenir problemas como esse. “Mas isso já está passando por um processo de reforma, com a Ater (política de assistência técnica e extensão rural do governo federal)”, ressalta o pesquisador chefe do Centronor/Ebda, José Augusto Garcia.
Produtividade baixa
Diretor da cooperativa de Tucano, Márcio Wander espera que o plano ajude a regularizar a produção. Na última safra, ele não colheu nem 50% do que foi plantado. As flutuações na produtividade reduzem as possibilidades de negócios. “Há redes do Rio de Janeiro e de São Paulo interessadas na nossa produção, mas precisamos oferecer uma garantia de fornecimento”, afirma.