Focos de ferrugem-asiática são encontrados no oeste

04/01/2007

Focos de ferrugem-asiática são encontrados no oeste

  Doença atingiu safra da soja em Barreiras
  

Foram identificados os dois primeiros focos de ferrugem-asiática na safra 2006/07 da soja no oeste baiano. A praga foi encontrada nas regiões de Placas e Bela Vista, município de Barreiras. Segundo a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), o controle químico já foi efetuado e os produtores envolvidos estão orientados a continuar o monitoramento, para evitar a reinfestação da doença em suas lavouras.


A ferrugem-asiática foi verificada pela primeira vez na Bahia em fevereiro de 2003, quando destruiu toda a plantação de soja do estado. “Na época a doença atingiu uma área de 830 mil hectares e causou prejuízos de mais de US$100 milhões”, lembra o vice-presidente da Aiba, Sérgio Pitt.


“O aparecimento da ferrugem-asiática já é uma rotina para os produtores de soja. A diferença é que agora já conhecemos a praga e estamos preparados para combatê-la. Ainda assim os gastos são altos com monitoramento. A contaminação automaticamente causa prejuízos”, acrescenta o executivo. O primeiro foco da praga nesta safra foi encontrado no último final de semana, na região de Placas, e o segundo, ontem.


De acordo com informações da Aiba, a ferrugem-asiática da soja é causada pelo fungo Phakopsora pachyrizi, que, entre outros problemas, causa a desfolha precoce, impede a completa formação do grão e reduz drasticamente a produtividade nas lavouras. Com o início do plantio na primeira quinzena de outubro de 2006, a soja se encontra em fase de florescimento, a partir da qual se verifica maior incidência do fungo na região. A colheita está prevista para ser iniciada na segunda quinzena de março.


“Mas isso não isenta as lavouras de soja com plantas em outros estágios de desenvolvimento de serem infectadas. Por isso, é imprescindível que os produtores intensifiquem o monitoramento, para evitar a disseminação da ferrugem”, considera Pitt, ressaltando ainda que umidade alta e temperatura média de 20ºC são fatores que favorecem a expansão da doença e que as chuvas previstas para os próximos dias na região podem favorecer a ploriferação do fungo causador da doença.


O combate à praga na Bahia vem sendo realizado pela equipe técnica do Programa Estratégico de Manejo da Ferrugem-Asiática da Soja, desenvolvido em parceira pela Aiba, Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) e Fundação BA. O estado reúne hoje cerca de 900 produtores de soja. 


Os primeiros sinais da ferrugem-asiática surgem pelo terço inferior ou médio da planta, e aparecem como minúsculas pontuações mais escuras do que o tecido sadio da folha. No início da infecção, a folha permanece verde, dificultando a identificação quando a lavoura é observada de forma superficial. Para identificar a doença no início, deve ser realizado um monitoramento cuidadoso, coletando diversas folhas da parte inferior/média da planta e observando contra a luz para verificar a presença de pontuações escuras.


Embora doenças como a “mancha parda”, o “crestamento bacteriano” e a “pústula bacteriana” causem sintomas semelhantes, a confirmação da ferrugem é feita pela constatação no verso da folha, de saliências semelhantes a pequenas feridas.