Algodão passa a sair pelo Porto de Salvador
O algodão do oeste baiano vai começar a ser exportado pelo Porto de Salvador à partir do ano que vem. A transferência da carga do Porto de Santos, por onde costuma sair, para o de Salvador será gradativa e poderá representar, inicialmente, uma economia de até 41% no frete rodoviário do algodão, além de possibilitar a criação de uma rota de contêineres para a Ásia.
Após quatro anos de conversa, os cotonicultores negociam, agora, com outras partes envolvidas no projeto as condições para a operação piloto, em junho de 2015.
“Está praticamente certo. Estamos acertando os últimos detalhes”, afirma o presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Julio Busato.
Metade da produção do algodão do oeste costuma se exportada para a Ásia por Santos, a 1.700 km, ou, do isso não é possível, segue pelo Porto de Paranaguá, no Paraná. Salvador encurtará esta distância em 800 km.
A estimativa dos produtores é começar o transporte com 30% da carga no primeiro ano, o equivalente a 30 mil toneladas da fibra. Dentro de cinco anos, espera-se exportar toda a carga pela Bahia.
A diretora comercial do Terminal de Contêineres de Salvador (Tecom Salvador), Patrícia Iglesias, acredita que se a operação se consolidar, poderá incentivar outros negócios de grande porte. “A Jac Motors, por exemplo, está entusiasmada com a nova rota. Isso será bom para o armador e importante para o produtor”, diz.
Prós e contras
O frete rodoviário da tonelada de algodão vai ser reduzido de R$ 260 para R$ 160, em média, mas esta vantagem, a princípio, servirá apenas para parear o custo total da operação com a de Santos. É que o transporte marítimo pelo porto paulista é 42% mais barato e leva cerca de 20 dias a menos para chegar aos principais destinos da Ásia.
Gerente da regional leste de um dos armadores que vão operar o projeto piloto, CMA, CGM, Jorge Castro diz que o plano é tornar-se um pouco mais competitivo ainda em 2015 e chegar em 2020 pareado com Santos. “Mas nada disso é promessa e acontecerá na medida em que as cargas vierem”, diz.
O presidente eleito da Associação Baiana de Produtores de Algodão (Abapa), Celestino Zanella, lembra que a carga já foi enviada por Salvador no passado, mas, segundo ele, por ineficiência do porto, os produtores pararam de usá-lo. “A intenção é que dessa vez dure. Mas será necessário que todas as partes colaborem”.
Produtores planejam reduzir custos
Os produtores do oeste da Bahia já vêm buscando, há algum tempo, alternativas para o transporte de suas commodities. O objetivo, claro, é reduzir o custo logístico, maior nas culturas de soja, milho e algodão.
Há cinco anos, o transporte de carga exportada de soja, que acontecia no Porto de Ilhéus, foi transferido para o de Salvador.
O presidente da Aiba, Julio Busato, diz que a motivação para a troca foi a falta de carga de retorno em Ilhéus. E, ao contrário do que acontece agora com o algodão, o porto da capital já possuía rota para carga de granel.
Com o envio da soja por Salvador, os produtores conseguiram economizar cerca de 30% nos custos com fertilizantes, insumos que chegam por navio e passaram a ser transportados ao oeste pelos caminhões que levam os grãos ao porto.
Para otimizar a operação de exportação do algodão pela Bahia, os produtores estão considerando adotar a mesma prática de transporte de fertilizantes feita na soja, diz Julio Busato.
Transporte Hidroviário
De baixo custo e menos impacto ambiental, o transporte hidroviário também faz parte dos planos dos produtores de grãos e fibras do oeste.
No primeiro semestre desse ano, foi enviada uma carga de 2,6 mil toneladas de caroço de algodão pela Hidrovia do São Francisco. Mas problemas como falta de dragagem e pedrais em alguns trechos dificultavam a navegação à época.
Busato diz que os produtores aguardam a dragagem do trecho de Ibotirama a Juazeiro ainda sem previsão de conclusão. “Na safra de milho, em abril, vamos tentar mandá-lo pela hidrovia”.