Commodities Agrícolas
Projeção otimista
Os futuros do café arábica despencaram ontem na bolsa de Nova York diante de uma nova estimativa mais otimista para a safra 2015/16 do Brasil. Os contratos para março fecharam em queda de 585 pontos, a US$ 1,7185 a libra-peso, o menor patamar desde 22 de julho. A Volcafe, divisão de commodities da suíça ED&F Man, informou que calcula uma colheita de 49,5 milhões de sacas no Brasil, o que representaria um aumento da produção nacional de 2,5 milhões de sacas sobre a safra 2014/15. Até o momento, essa foi a maior estimativa para a produção do Brasil no ciclo 2015/16. O dado fez muitos fundos liquidarem posições na bolsa, aprofundando a desvalorização da commodity. No mercado doméstico, o preço do café de boa qualidade ficou entre R$ 500 e R$ 510 a saca de 60,5 quilos, segundo o Escritório Carvalhaes.
Safra brasileira
Os preços do suco de laranja ganharam impulso ontem na bolsa de Nova York ante a perspectiva de uma produção menor no Brasil na safra atual. Os contratos de suco concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) para março subiram para US$ 1,4795 a libra-peso, alta de 95 pontos. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicou, na terça-feira, que estima uma quebra de safra de 3,1% no Brasil em 2014/15, o que deve colaborar para a redução dos estoques finais de FCOJ em território nacional na proporção de 62%. A estimativa, feita a partir de dados do escritório local, preocupa, já que o Brasil é o maior exportador de suco de laranja. No mercado doméstico, o preço da laranja à indústria apurado pelo Cepea/Esalq subiu 0,25%, para R$ 10,25 a caixa de 40,8 quilos.
Efeito Fed
Os preços do algodão caminhavam para uma nova queda na bolsa de Nova York com uma possível liberação de vendas na Índia quando a divulgação da ata da reunião do Federal Reserve inverteu a direção das cotações. Os lotes para maio fecharam em 61,16 centavos de dólar a libra-peso, alta de 78 pontos. Os fundos acreditam que os juros nos Estados Unidos subirão em breve, mas de forma mais amena que o esperado. Após a ata, fundos de índices de commodities entraram no mercado. Também houve impulso dos sinais de que a China pode reduzir a produção. Mas há possibilidade de a Índia vender o algodão dos estoque em 2015, o que pode provocar novas quedas. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias subiu 0,16%, para R$ 1,6619 a libra-peso.
Restrição russa
A decisão da Rússia de restringir as exportações de trigo provocou elevação expressiva dos futuros do cereal ontem nas bolsas americanas. Em Chicago, os lotes para maio fecharam em US$ 6,5075 o bushel, alta de 24,5 centavos. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os papéis com igual vencimento subiram 26,5 centavos, a US$ 6,845 o bushel. Moscou emitirá certificados sanitários para exportar o cereal apenas para Egito, Turquia, Armênia e Índia. Os traders acreditam que os demais compradores podem se voltar à oferta americana. Porém, analistas ressaltam que o trigo nos Estados Unidos está menos competitivo que em países produtores. No mercado interno, o preço médio da tonelada no Paraná apurado pelo Cepea/Esalq subiu 0,05%, a R$ 545,72.