Parque de Exposições vai virar complexo multiúso
O governo baiano espera concluir em 90 dias o procedimento de manifestação de interesse (PMI) do projeto que visa transformar o atual Parque de Exposições em um complexo multiúso. O local, que abrange uma área de 450 mil metros quadrados, abrigaria uma unidade para exposições permanentes de animais, além do novo centro de convenções da cidade e arenas para shows, reunindo investimentos totais da ordem de R$ 250 milhões.
De acordo com o secretário da Agricultura, Paulo Câmera, após a definição do PMI, será lançado o edital para concessão onerosa de uso. "É, portanto, diferente do que foi feito com a Arena Fonte Nova, que adotou o modelo de Participação Público Privada (PPP)", informou o secretário, completando: "No caso do projeto para a segunda área do Parque de Exposições, os custos ficarão integralmente a cargo da iniciativa privada, com concessão do uso pelo estado".
Com base em conversas preliminares com empresários, Câmera assegura que, pelo menos, seis consórcios devem ser formados para disputar o empreendimento. "A ideia inicial é não fracionar o projeto, para evitar que haja descontinuidade do empreendimento, que deve ser desenvolvido em etapas", explica. A Seagri espera que um único grupo assuma o projeto, desde a construção até a gestão do empreendimento.
Há menos de 25 dias à frente da pasta, Câmera disse na quitna-feira, 19, em visita ao Grupo A TARDE, em Salvador, que está determinado em deslanchar o projeto, engavetado no estado há pelo menos 20 anos. Ele foi recebido pelo diretor-geral, André Blumberg.
O secretário já esteve reunido com empresários pecuaristas e com o secretário de Cultura, Jorge Portugal. "Teremos também encontros com outros expoentes do segmento cultural e ainda com a Secretaria de Turismo", informou, esperando contar com a participação dos grupos de interesse. Nas próximas segunda e terça-feiras, Câmera viaja para São Paulo e Rio Grande do Sul para visitar parques que já adotaram modelos semelhantes.
Agroindústrias
Em outra frente de atuação, a Secretaria da Agricultura está buscando reativar os projetos de cerca de 50 agroindústrias previstas para serem instaladas no estado.
"São projetos de beneficiamento em que os empresários e investidores chegaram a firmar protocolos de intenções com a antiga Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração, na gestão passada, e que nós estamos indo atrás para estimular a concretização dos negócios, que beneficiam a agricultura baiana", informou o secretário Paulo Câmera.
Segundo ele, na maioria dos casos, os projetos preveem a produção de sucos ou envase de produtos produzidos no estado. Seriam beneficiadas, por exemplo, as fruticulturas de coco, nos municípios de Rodelas, Conde e Acajutiba; uva, do Vale do São Francisco e Chapada Diamantina; e laranja, de Rio Real e Alagoinhas. Os empresários também teriam interesse em produzir sucos de melancia, cultivada em regiões diversas do estado.
Câmera acredita que o momento é bom para a atração de agroindústrias para a Bahia, onde as empresas vão poder contar com a redução de custos de energia, a partir da geração dos parques eólicos. "Agora que os editais eólicos já preveem a instalação de projetos com linhas de transmissão, os investimentos ganham mais segurança", frisou.
Café
No caso do café, da região de Piatã, o foco da Seagri é tentar obter o certificado de qualidade para facilitar a comercialização do produto. "Já é um café de tradição e que precisa de ter sua qualidade atestada para obter maior valor agregado, inclusive para exportação", frisou Paulo Câmera. Ele ressalta que, mesmo com a alta do dólar, beneficiando as exportações, a Bahia acaba não sendo muito favorecida pelo câmbio, "justamente por exportar muito os produtos in natura, com pouco valor agregado", ressalta.
Na parte de grãos, a expectativa maior é com a consolidação da Agência de Desenvolvimento Agrícola para a área denominada de Matopiba, que abrange o Maranhão, Tocantins, Piauí e a Bahia.