Oeste da Bahia registra focos de ferrugem da soja

05/01/2007

Oeste da Bahia registra focos de ferrugem da soja

 

 

O pólo de produção de grãos do oeste baiano detectou as primeiras ocorrências da ferrugem da soja na safra 2006/07. Os dois casos confirmados foram detectados nas localidades de Placas e Bela Vista, no município de Barreiras, a 905 quilômetros de Salvador. 


O fungo da ferrugem da soja apareceu pela primeira vez na região em fevereiro de 2003. A doença causa a perda precoce das folhas, o que impede a formação completa do grão e reduz a produtividade das lavouras de soja. Naquele ano, a doença atingiu áreas de plantio de sete municípios da região e causou prejuízos de US$ 102 milhões, segundo a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba). 


Desde então, a ferrugem tem sido monitorada por uma equipe técnica formada pela Aiba, Fundação Bahia e pelas estatais Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) e Embrapa, já que sua completa erradicação não é viável. "Não se conhece uma forma de acabar totalmente com a ferrugem. Talvez com a interrupção do plantio por dois ou três anos, mas isso não é possível", diz Sérgio Pitt, vice-presidente da Aiba. 


Ainda que a ação da ferrugem seja devastadora para a produtividade da soja, sua detecção não significa perda certa para os produtores, afirma o dirigente. Na última safra, por exemplo, houve queda na produtividade da oleaginosa no oeste da Bahia, mas toda a baixa foi creditada aos problemas climáticos que os produtores da região enfrentaram. No mesmo ciclo, as lavouras passaram por um período de 37 dias de estiagem e, depois, por chuvas em demasia na época da colheita. 


Para este ano, com a perspectiva de chuvas mais bem distribuídas, a produtividade deverá superar as 44 sacas por hectare, diz Pitt. No ano passado, o volume foi de 38 sacas por hectare, um contraste com as 46 sacas do ciclo anterior. A estimativa de área ocupada é de 850 mil hectares, com produção total prevista de 2,244 milhões de toneladas. De acordo com levantamento da Embrapa, já foram encontrados casos de ferrugem também em Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. 


As projeções feitas pela Aiba em outubro para a produção de algodão permanecem inalteradas. Calcula-se que o algodão ocupará 250 mil hectares, em comparação com os 214 mil da última safra. O milho, que ocupou 130 mil hectares no ciclo anterior, deverá ganhar espaço e passar a 166 mil hectares - na última estimativa da entidade, calculava-se 136 mil hectares. 


A manutenção das projeções dependerá muito menos de fatores como a ferrugem asiática, afirma Pitt, e muito mais das condições climáticas. Segundo relatório da Superintendência de Recursos Hídricos, a probabilidade de as chuvas se manterem na média histórica no intervalo entre o último mês de dezembro e fevereiro deste ano é de 40%. Com fatias idênticas de 30% estão as chances de que as chuvas fiquem acima ou abaixo da média.