Preço do álcool fica até 7% mais alto em Salvador

05/01/2007

Preço do álcool fica até 7% mais alto em Salvador

Os consumidores baianos dependem de um coração cada vez mais forte para não sofrer parada cardíaca cada vez que abastece o seu veículo. “Basta o marcador de combustível indicar que preciso ir ao posto já começo a suar frio. Haja saúde para não morrer de susto com os aumentos constantes de preço”, dramatiza o artista plástico José Ricardo Fontes.

O comentário soa como exagero, mas os preços dos combustíveis andam tirando o consumidor do sério, ou melhor, do carro. “Tenho concentrado todos os meus compromissos em um único dia para evitar ficar circulando com o carro”, afirma a aposentada Aidê Figueiredo.
“Só uso o carro agora para emergências”, reforça o industrial Dioner Maia.
“Estou indo de ônibus para o trabalho para economizar combustível.

Até o preço do álcool, que antes era muito mais em conta do que o da gasolina, está um absurdo”, reclama o vigilante Ernando Santos. A reportagem de A TARDE circulou por diversos bairros da cidade e encontrou o litro do álcool variando de R$ 1,54 a R$ 1,69, sendo que a maioria praticava preço a partir de R$ 1,59. O aumento no preço do álcool ficou em torno de 6% a 7%.

ENTRESSAFRA – Segundo o presidente do Sindicombustíveis/Ba (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado da Bahia), Walter Tannus, este foi o reajuste praticado pelas distribuidoras, que dizem ter sofrido o mesmo aumento dos usineiros, em função do começo da entressafra dos produtores de canade-açúcar de São Paulo, os maiores do País.

“Não há como os postos comprarem o produto mais caro e não repassar para o consumidor”, alega Walter Tannus. Com a alta do álcool, os postos já esperam uma retração nas vendas. “Já sei que vamos ter dias parados esta semana.

Toda vez que aumenta o preço do combustível, os clientes somem”, diz o frentista Carlos Barbosa.

Pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP), que monitora os preços nas usinas, mostrou que o preço médio do litro do álcool hidratado aumentou 4,59% na última semana do ano nas unidades produtoras paulistas, acumulando alta de 12,91% ante a última semana de novembro.

A pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os ministros das Minas e Energia, Silas Rondeau, e da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, pediram explicações aos usineiros para o aumento repentino nos preços do álcool hidratado entre o final do ano passado e o início deste ano. O diretor da União da Indústria da Canade-açúcar (Unica), Antonio de Pádua Rodrigues, informou que o aumento no preço ocorreu por um crescimento pontual e imprevisto na demanda de álcool hidratado por parte das distribuidoras em dezembro último.

A preocupação do presidente é que se repita no início deste ano o cenário do início de 2006, quando os preços do álcool dispararam nas usinas e nos postos diante da alta na demanda aliada à pequena oferta. À época, o governo tentou, sem sucesso, intervir no mercado, ao negociar com os produtores um teto de R$ 1,05 para o preço praticado nas usinas, que superou o patamar e atingiu R$ 1,25. Com o fracasso no acordo, o governo foi obrigado a se contentar em reduzir a mistura do álcool anidro à gasolina de 25% para 20%.