Pesquisador identifica mais de 400 substâncias secretadas da cabeça do pirarucu

15/01/2018

Um importante passo no caminho da domesticação do pirarucu, o maior dos peixes nativo do
Brasil, foi dado pelo pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO), Lucas Simon Torati: a
descoberta de hormônios, proteínas, peptídeos e prováveis feromônios no líquido secretado pela
cabeça de animais adultos. O cientista analisa a hipótese de que os alevinos devem se beneficiar
diretamente dessa secreção, por causa da sua composição bioquímica. A pesquisa identificou mais
de 400 proteínas secretadas pelo peixe. A descoberta foi publicada na revista científica Plos One.
Em sua tese de doutorado defendida na University of Stirling, na Escócia, Torati conseguiu
demonstrar que essa secreção contém esteroides sexuais possivelmente usados como
feromônios, os hormônios que servem para provocar atração para o acasalamento. O cientista
observou que sempre que o nível desses hormônios estava alto no sangue, também se elevava na
secreção da cabeça. Tal revelação, inédita nos meios científicos, comprovou o caráter singular do
pirarucu. Em geral, os peixes liberam os feromônios pelo sêmen ou pela urina, mas em nenhuma
outra espécie foi identificada a sua presença no líquido da cabeça.
A pesquisa também constatou que o muco possui proteínas que podem beneficiar os alevinos, o
que seria uma das causas que justificaria a presença constante de filhotes no topo da cabeça do
peixe. “Nessa região há cavidades que, quando apertadas, liberam uma espécie de leite pelos
poros. Começaram a surgir diversas hipóteses, como a de que os alevinos se alimentam desse
líquido, uma espécie de lactação. Filhotes de acará-disco comem o muco da cabeça dos pais, mas
não há muitos dados validando essa hipótese no caso do pirarucu”, conta Torati. “Inclusive não há
nem uma terminologia científica para se referir a essa secreção que o peixe libera pela cabeça”,
comenta.

 

Fonte: Canal Rural

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