
O evento, promovido pelo Governo do Estado, faz parte do ciclo de debates temáticos do Plano de Desenvolvimento Integrado (PDI) Bahia 2035, um encontro que reúne contribuições de técnicos, agentes de governo e sociedade civil, com o intuito de definir diretrizes e acolher sugestões que assegurem êxito as políticas e ações de governo ao longo dos anos seguintes.
O secretário de Desenvolvimento Rural (SDR), Jerônimo Rodrigues, destacou a importância de colocar as questões rurais, no centro do debate para o desenvolvimento: “É um orgulho para nós estar aqui e pensar vinte anos à frente, temos a responsabilidade de nos mantermos vivos com qualidade, com força, produção e dignidade. O que o Governo do Estado está proporcionando é garantir que esta iniciativa ganhe longevidade e se torne uma política de estado. Nós temos a responsabilidade de manter o que está sendo planejado com o PDI, pois não se pensa num estado do tamanho da Bahia sem se planejar para manter as questões do rural presente nas estatísticas da economia, da cultura, da defesa do meio ambiente, da agroecologia”.

Durante o encontro, realizado pela manhã e tarde, foram debatidos os seguintes temas: Questão Fundiária e Desenvolvimento; Políticas de Regularização Fundiária – Desafios; Ruralidade e Desenvolvimento; e Ruralidade e Políticas Públicas; Limites e Potencialidades do Agronegócio Baiano; e Agricultura Familiar e Formas Alternativas de Produção.
Renata Rossi, gestora da Coordenação de Desenvolvimento Agrário (CDA/SDR) pontuou que "As questões fundiárias estão no cerne das discussões sobre o desenvolvimento rural a médio e longo prazo e a garantia do acesso a terra pelos trabalhadores rurais é um pressuposto do crescimento produtivo do campo. Planejar ações a longo prazo no âmbito do PDI é fundamental para a integração da questão fundiária à dimensão estratégia do Estado visando garantir, inclusive, a eficácia da política pública e a construção de um meio rural mais justo e com qualidade de vida para todos e todas".

Debate
O professor Arilson Favareto, da Universidade Federal do ABC (UFABC) discorreu sobre Ruralidade e Políticas Públicas e lembrou que “há diferentes rotas de superação da pobreza e promoção de um desenvolvimento rural sustentável, a questão é dar coerência e harmonizar estas rotas. Para um planejamento a longo prazo é necessário que as políticas implementadas conversem e dialoguem entre si. O crédito não pode chegar depois da chuva”, exemplificou.
Wilson Dias, diretor presidente da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR/SDR), observou a necessidade da promoção de um debate amplo para construção do PDI 2035: “A contribuição dos especialistas que vem aqui ajuda a gerar os insumos que se transformarão num planejamento adequado, de longo prazo. Nós precisamos ter esse olhar estratégico para o rural do futuro da Bahia, embora a gente tenha maior população de agricultura familiar do Brasil, os desafios que nos cercam são grandes, principalmente no momento de diminuição das políticas públicas federais. Então, nós temos que considerar isso no nosso planejamento, além de outros temas que cercam essas inquietações nossas para construirmos políticas públicas mais assertivas, mais qualificadas diante da diversidade que é a agricultura familiar da Bahia e do Brasil tem”.
Representando Jaques Wagner, secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado (SDE), a superintendente Lucia Falcon, salientou que “a Bahia se destaca no processo e planejamento a longo prazo, porque há pilares da escuta popular, das identidades de território, conselhos territoriais, enfim, todas as instâncias construídas ajudam muito no processo de construção desse documento.
Sobre a agricultura familiar Falcon afirmou que o desafio contemporâneo é subsidiar a produção rural numa estrutura mais qualificada, que agrega valor ao produto: “Eu vejo a agricultura familiar da mesma forma como vejo a construção civil, são os dois setores e serviços, terceiro, são os três setores que geram emprego muito rápido. Com um pouco de investimento na construção civil, um pouco de investimento nos serviços, um pouco de investimento na agricultura familiar retorna multiplicado para a economia como um todo. Então, eu acredito na agroindústria familiar. Eu acho que a gente não pode só produzir aquela fruta in natura, a gente não pode mais produzir o feijão, a mandioca in natura, precisa agregar valor a essa produção. Esse avanço de agricultura familiar para agroindústria familiar, eu acho que é o grande desafio para a Bahia nos próximos vinte anos”, finalizou.

Presenças
Participaram do encontro os professores da Universidade Federal da Bahia, Gilca Garcia de Oliveira e Gustavo Bittencourt Machado, Carlos Enrique Guanziroli Universidade Federal Fluminense (UFF), o chefe de gabinete e superintendente de planejamento estratégico da Secretaria de Planejamento (Seplan), Cláudio Peixoto e Ranieri Muricy Barreto, respectivamente, Jonas Paulo, Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Bahia (Codes), Reub Celestino, da Secretaria de Agricultura (Seagri), o secretário de Ciência e Tecnologia (Secti), Vivaldo Mendonça, representantes de movimentos sociais, cooperativas, associações e membros da sociedade civil organizada.
Fonte: ASCOM SDR