Odacil Ranzi deu dados sobre a situação da agricultura do Oeste do estado frente as dificuldades de compra de fertilizantes, devido à guerra entre Rússia e Ucrânia

17/03/2022

No webinário realizado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri), no último dia 10 de março, foi discutido o cenário do agronegócio frente possível dificuldade de importação de fertilizantes, por conta da guerra entre Rússia e Ucrânia. Cerca de 22% dos fertilizantes importados pelo Brasil em 2021 vieram da Rússia e, diante do conflito, há um natural temor de que esse montante de insumos não possa mais ser comercializado, ou pelo menos uma parte dele. Um dos entrevistados no webinário foi Odacil Ranzi, presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), que revelou que para a safra 2021/22, no Oeste da Bahia, não haverá qualquer impacto por conta de fertilizantes.

 

“O problema pode ser na safra 2022/23, que começa a ser plantada em outubro deste ano e que temos que iniciar agora as negociações para a compra de fertilizantes. A safra 2021/22, que iniciaremos a colheita em abril, já está avançada”, disse Odacil Ranzi, ressaltando que, além da possível escassez futura dos fertilizantes, há também a questão dos preços. “No tangente ao potássio, por exemplo, passamos de US$ 300 para US$ 1.050 a tonelada”, revelou.

 

Ranzi detalhou as necessidades e a realidade da região quanto à demanda pelos principais e mais comuns elementos constituintes dos fertilizantes. “O mais tranquilo, quanto a oferta, é mesmo o fósforo, pois temos na cidade de Luís Eduardo Magalhães uma grande indústria que abastece praticamente 40% das nossas necessidades. Tem também uma mina no Piauí e outra no Ceará, de onde trazem a matéria prima e industrializam aqui em Luís Eduardo Magalhães. Como também nós temos um estoque, uma poupança de fósforo em nossos solos, eu não vejo problema nenhum por enquanto nesse tangente.  O que mais nos preocupa nesse instante é a ureia e o potássio”, explanou o presidente da Aiba.

 

Odacil Ranzi explicou que o milho, por exemplo, precisa de duas a três aplicações de ureia para se obter uma boa produção. E para ter uma pequena produção, com custos altos, pode nem valer a pena o plantio. “E os preços da ureia também subiram, e absurdamente”, ressaltou.

 

Quanto ao potássio, Ranzi lembrou que existe uma mina em Sergipe e outra em Araxá (Minas Gerais). Mas há um problema, a concentração. “O potássio de Minas Gerais, por exemplo, tem concentração que varia de 10% a 12%. O potássio que importamos tem concentração de 58%, 60%. E, diferente do fósforo que fica no solo e nos possibilita um certo estoque, no caso do potássio não acontece isso, ele é consumido e evapora todo ano, precisa ser restabelecido ano a ano”.

 

No mesmo webinário, o diretor-executivo da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), Ricardo Tortorella, revelou que o Brasil vem importando anualmente cerca de 11 milhões de toneladas de cloreto de potássio. Desses, 3 milhões costumavam vir da Rússia e outros 2,2 milhões da Bielorrússia, país que também enfrenta restrições internacionais. Diante desses dados, e da necessidade do insumo para o plantio, o presidente da Aiba disse que as perguntas que ficam são: “Até onde vai essa guerra? Teremos que diminuir nossos plantios? Nosso uso de fertilizantes na lavoura?”

 

O webinário, de tema "Possíveis impactos do conflito Rússia/Ucrânia no agronegócio do Brasil e da Bahia – Caminhos e ações pertinentes", também contou com as presenças do secretário da Agricultura da Bahia, João Carlos Oliveira e do seu assessor especial, Thiago Guedes; do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), Humberto Miranda; e do coordenador de conjuntura da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais (Sei), Arthur Cruz.

 

PNF – A situação da comercialização internacional de fertilizantes preocupa todo o setor agropecuário. Tanto que o governo federal lançou, no último dia 11 de março, o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), em cerimônia realizada em Brasília (veja matéria no site Seagri). O plano busca promover o desenvolvimento do agronegócio nacional de forma menos subjugada, prevendo reduzir a importação dos insumos e fragilidades que afetem a produção agroecológica e agropecuária brasileira – leia matéria sobre o lançamento no site Seagri.

 

O PNF é um planejamento que pode se mostrar muito importante a médio e longo prazos, pois incrementar a produção de elementos como potássio, cálcio e ureia no Brasil é uma ação que irá demorar anos. É uma iniciativa essencial, ninguém questiona, mas, caso se prolongue a guerra no Leste Europeu, serão necessárias atitudes mais imediatas, como a importação de insumos de outros países produtores.

 

Texto: Ascom Seagri
Foto manipulada: Ascom Seagri
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