A Seagri participou da cerimônia de celebração dos 50 anos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - EMBRAPA, realizada na última quinta-feira (17), no plenário da Assembleia Legislativa da Bahia. Na solenidade, Luiz Rezende, chefe de gabinete da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura, representou o titular da pasta Wallison Tum.
“Esta instituição, que acaba de completar meio século de existência, é motivo de orgulho para o Estado da Bahia e para o Brasil. A Embrapa é referência em pesquisa, ciência e inovação para a agropecuária no âmbito nacional e forte parceira da Seagri”, comentou Luiz Rezende.
Francisco Laranjeira, chefe-geral da Embrapa Mandioca e Fruticultura, unidade baiana localizada em Cruz das Almas e fundada há 48 anos, ressaltou o impacto positivo da empresa no desenvolvimento da agropecuária baiana.
“Graças às inovações tecnológicas desenvolvidas pela Embrapa, testemunhamos a revolução agrícola no oeste da Bahia, o surgimento de um polo exportador de frutas no Vale do São Francisco e na Chapada Diamantina, bem como o florescimento da produção de uvas de mesa e vinhos de alta qualidade".
A iniciativa foi do deputado estadual Eduardo Salles, engenheiro agrônomo e ex-secretário estadual de Agricultura. Durante a sessão, o parlamentar destacou a importância da empresa.
“Sem a Embrapa, a agropecuária brasileira não responderia por cerca de um quarto do PIB, não teríamos o maior rebanho bovino do mundo, não seríamos o maior produtor mundial de soja, café, açúcar, suco de laranja, carne bovina e etanol”, enfatizou o parlamentar durante a sessão.
Histórico
Fundada em 1973, a Embrapa passou atuar no estado em 1975, com a criação oficial da Embrapa Mandioca e Fruticultura para executar e coordenar pesquisas para o aumento de produção e produtividade, a melhoria da qualidade dos produtos, a redução dos custos de produção e a viabilização do aproveitamento de áreas subutilizadas para mandioca e fruteiras tropicais.
O projeto de implantação foi elaborado com participação de especialistas de diferentes estados e instituições e aprovado pela Diretoria-Executiva da Embrapa em 1976, quando os trabalhos se iniciaram, efetivamente, focados em culturas (atualmente abacaxi, banana, citros, mamão, maracujá e mandioca) e com abrangência nacional.
“Mandioca e frutas tropicais têm enorme importância para a segurança alimentar e nutricional da população brasileira e a sustentabilidade socioeconômica de milhares de famílias. A Embrapa Mandioca e Fruticultura tem contribuído com tecnologias e apoio a políticas públicas relacionadas a essas cadeias de valor e, portanto, para o futuro da segurança alimentar em nosso país. Seguindo nesse caminho, estão em curso ações direcionadas à mitigação do efeito das mudanças climáticas e ao desenvolvimento de sistemas de produção sustentáveis e de tecnologias para intensificação sustentável da produção”, afirma o chefe-geral Francisco Laranjeira.
Contribuições para o Estado da Bahia
A colaboração da Embrapa Mandioca e Fruticultura tem sido importante na criação e manutenção de dezenas de polos de produção no estado, a exemplo de banana na região de Bom Jesus da Lapa, banana-da-terra no baixo-sul, mamão no extremo-sul, abacaxi em Itaberaba e mandioca no recôncavo-sul e centro-sul. Além disso, a instituição se dedica a identificar municípios que têm potencial para a diversificação de culturas, como é o caso da citricultura nas regiões oeste, extremo-sul e Chapada Diamantina.
No início da década de 1990, com diversas instituições parceiras liderou os trabalhos de adaptação de tratamento hidrotérmico utilizado em outros países às condições nacionais e ao combate à mosca-das-frutas, o que permite, até hoje, a exportação de frutas frescas de excelente qualidade para diversos países.
Foi a parceria entre técnicos extensionistas e pesquisadores da Embrapa que conseguiu desenvolver, do zero, a cadeia produtiva do abacaxi em Itaberaba, transformando-o no maior produtor estadual da fruta. Até os anos 1980, o município do semiárido tinha tradição em pecuária de corte bovina extensiva e de caprinos e ovinos. Hoje, a cultura é predominante em pequenas propriedades, com áreas médias inferiores a três hectares, nas quais se emprega mão de obra familiar e, na maioria das vezes, sem financiamento.
No centro-sul, considerado um grande polo produtor de mandioca, trabalho científico da Embrapa evitou a erradicação da produção, especialmente em Caetité, Guanambi e Palmas de Monte Alto.
O desenvolvimento da mandioca BRS Formosa, naturalmente resistente à bacteriose - doença causada pela bactéria Xanthomonas campestris pv. Manihotis que até hoje não possui controle químico — não só manteve a produção do polo como dispensou o uso de químicos na lavoura para o tratamento da doença.
A Unidade também desenvolve conhecimentos e tecnologias aplicáveis à fruticultura orgânica, de práticas de preparo e manejo do solo aos manejos cultural, nutricional, de irrigação, pragas, colheita e pós-colheita, com trabalhos sediados, principalmente, na Chapada Diamantina.
Quanto à cultura do mamão, a Embrapa Mandioca e Fruticultura e parceiros desenvolveram a metodologia do monitoramento de pragas do mamoeiro, que se tornou uma das principais práticas recomendadas para a Produção Integrada de Mamão, que utiliza técnicas e tecnologias que minimizam ou racionalizam o uso de agroquímicos e permite a obtenção de produtos com níveis de resíduos químicos bem abaixo dos permitidos por lei.
No Sudoeste, a presença da Embrapa é constante nos municípios de Dom Basílio e Livramento de Nossa Senhora – este último, o maior produtor brasileiro de maracujá.
Os trabalhos de pesquisa e transferência de tecnologia na região levaram a Unidade a desenvolver o sistema de produção cultivo do maracujazeiro para o Estado da Bahia, disponível na internet, que incluem orientações para todas as fases da produção: tratos culturais, controle de pragas e doenças, manejo na colheita e pós-colheita, uso de agrotóxicos e mercado e comercialização.