Ajuda do governo chega aos municípios atingidos pelas enchentes

17/01/2007

Ajuda do governo chega aos municípios atingidos pelas enchentes

 

Vice-governador e secretário de Desenvolvimento Social visitaram as cidades para avaliar os estragos

 

Os municípios de Carinhanha, Bom Jesus da Lapa, Serra do Ramalho e Malhada tiveram decretos de situação de emergência homologados pelo governador Jaques Wagner. As maiores preocupações são com a zona rural, onde as plantações foram inundadas, e com a situação das estradas. Além do envio de três caminhões com colchões, cobertores, filtros de água e rolos de lona plástica, o Governo do Estado vai mobilizar as secretarias da Saúde e de Infra-estrutura para estudar as ações necessárias para prevenir a disseminação de doenças e a recuperação do que foi destruído pelas chuvas.

O vice-governador Edmundo Pereira e o secretário de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, Valmir Assunção, visitaram ontem as cidades de Bom Jesus da Lapa, Malhada e Carinhanha, atingidas pelas enchentes provocadas pela elevação do nível das águas do Rio São Francisco. Pereira viajou a pedido do governador Jaques Wagner, com a missão de avaliar especialmente a situação das estradas da região.

O quadro de deterioração das estradas estaduais e vicinais se agravou com as enchentes. Alguns trechos já estão inundados, isolando cidades e localidades da zona rural.

O prefeito de Bom Jesus da Lapa, Roberto Maia, levou a comitiva para constatar o quadro na cidade. "Nosso maior problema está na zona rural e principalmente nas ilhas, com 80% da sua área plantada alagada", resumiu. A sede do município ainda não foi afetada, graças ao dique de contenção.

Assunção recebeu informações do aumento da vazão de água na Barragem de Três Marias (MG) e as repassou aos prefeitos dos municípios que já tiveram seus decretos de situação de emergência homologados pelo governador (Carinhanha, Bom Jesus da Lapa, Serra do Ramalho e Malhada).

Maia disse que, se o rio subir e superar o dique, será necessário decretar estado de calamidade pública.

Na Ilha de Canabrava, em Bom Jesus da Lapa, a comitiva visitou algumas das famílias, que ainda resistem em deixar o local. "Vocês devem pensar em proteger suas famílias, em primeiro lugar, saindo o quanto antes. Podem estar certos de que estaremos juntos na hora de voltar e refazer o que a cheia destruir", afirmou o vice-governador.

"A nossa questão é ter sementes, porque o resto a gente resolve com os braços, depois que a água descer", declarou o presidente da Associação dos Pequenos Produtores da Ilha de Canabrava", Raimundo Souza. 

Mesmo sem receber a comitiva em seu município, o prefeito de Serra do Ramalho, Carlos Caraíba, relatou a situação dramática de cerca de mil famílias, a maioria assentada em projetos da reforma agrária, que perderam 100% das lavouras.

"Tinha certa preocupação, mas fiquei tranqüilo com a forma como o vice-governador e o secretário trataram o assunto. Acho que a forma correta é esta", disse o prefeito, ao receber a confirmação da partida dos primeiros caminhões com lonas plásticas, colchões, cobertores, filtros e cestas básicas.

Do outro lado do rio, em Malhada, a comitiva viajou de barco até a Ilha da Melancia, onde muitas famílias continuam no local. Aos 79 anos, o agricultor Honorato Alves disse não ter para aonde ir e garantiu que só vai sair quando a água atingir a sua casa. "Perdi tudo que plantei, mas depois eu volto e começo tudo de novo", afirmou o velho agricultor, que vive na ilha há 40 anos e já viu muitas outras cheias.

Ao final da viagem, o vice-governador antecipou que, além da ajuda emergencial, mobilizará os secretários da Saúde, Jorge Solla, e de Infra-estrutura, Batista Neves, para que enviem técnicos à região e verifiquem as ações necessárias para prevenir a disseminação de doenças e a recuperação das áreas destruídas pelas enchentes.

Assunção ressaltou o diálogo aberto com todos os prefeitos, priorizando o interesse da população acima de qualquer diferença partidária, e manteve a equipe da Coordenação de Defesa Civil (Cordec) em estado de alerta para monitorar a evolução das enchentes.

"No momento, não há ampliação da área inundada, mas as águas não recuaram. A Barragem de Três Marias aumentou a vazão e está liberando 7 mil metros cúbicos por segundo. Isso nos obriga a tomar medidas mais efetivas, já que o Rio Paracatu, que influencia muito a região, teve a sua vazão aumentada", explicou o secretário.