País quer erradicar febre aftosa até 2010 com a maior verba da década

17/01/2007

País quer erradicar febre aftosa até 2010 com a maior verba da década

 

O Brasil precisaria investir anualmente R$ 1,88 bilhão em defesa sanitária, se decidisse seguir o exemplo de Santa Catarina, estado livre da doença sem vacinação. Ontem, Mato Grosso - o maior rebanho do País - comemorou 11 anos sem a enfermidade e o Governo Federal anunciou o plano de erradicar a febre aftosa em todo o continente até 2010. Para isso, neste ano, será aplicado a maior verba da década: R$ 260 milhões em sanidade, sendo 52% para a saúde animal.
Os planos iniciais, na primeira gestão do atual governo, eram eliminar a enfermidade no País em 2007 . Segundo o secretário de Defesa Sanitária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, se necessário, serão aplicados recursos na Bolívia e Paraguai. Maciel salientou que o maior investimento vem do setor privado, que compra as vacinas, ficando a fiscalização à cargo dos governos federal e estaduais.
"O dinheiro deve estar na hora certa. É preciso vontade política de acabar com o problema", avalia Antenor Nogueira, presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Em 2006 estavam orçados R$ 160 milhões e apenas R$ 97,7 milhões foram aplicados.
Maciel explica que além de sensibilizarem a área econômica da importância do investimento, a bancada ruralista adicionou recursos - no orçamento original eram R$ 195 milhões. O secretário acrescenta que em 2007 o País dará um grande passo com o reconhecimento, por parte da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), em maio, de Santa Catarina como estado livre da doença sem vacinação - há sete anos que o rebanho local não é imunizado.
O sucesso dos catarinenses é fruto de investimento estatal e privado. Além dos R$ 25 milhões aplicados a cada ano pelo governo, outros R$ 17 milhões vêm da iniciativa privada. Roni Barbosa, ex-diretor de Defesa Agropecuária do governo catarinense explica que hoje existem 69 barreiras sanitárias nas divisas e fronteira do estado. Além disso, ampliou-se o número de fiscais e de veterinários e informatizou-se a movimentação dos animais. Quando o estado vacinava, utilizava-se a chamada vacina oficial, ou seja, técnicos do governo é que imunizavam o rebanho. "Agora, se conseguirmos e reconhecimento, podemos pleitear mercados mais competitivos, como o Japão, Coréia do Sul e a União Européia", diz.
Em Mato Grosso, a parceria privada e estatal também possibilita a erradicação da doença. A expectativa é que a partir do próximo ano sejam reduzidas as campanhas de vacinação para que, posteriormente o rebanho não precise mais ser imunizado. "Temos uma parceria que possibilitou, em 1992, a criação de um fundo para a doença", diz Homero Pereira, presidente da Federação de Agricultura de Mato Grosso (Famato). Nas últimas campanhas, 99,5% do rebanho têm sido imunizado. Para aqueles que não notifiquem a vacinação, há agulha oficial. Além disso, o estado tem investido na vigilância das fronteiras.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 12)(Neila Baldi)