Sobra de frutas pode virar polpa

18/01/2007

Sobra de frutas pode virar polpa

 

Aproveitamento reduz desperdício e traz renda extra para produtor

Aproveitar o excedente da safra de frutas da época - goiaba, acerola, manga, abacaxi, maracujá - para fazer polpas congeladas pode ser um investimento lucrativo, além de diminuir o desperdício de frutas que não são consumidas in natura. “Desde a fácil acerola até o abacaxi, mais complicado, é possível obter renda com as polpas”, diz a pesquisadora Virgínia Martins da Matta, da Embrapa Agroindústria de Alimentos.

Virgínia alerta, entretanto, que por se tratar de uma agroindústria de alimentos, o pré-requisito básico é produzir com qualidade, de forma a garantir segurança para o consumidor. “A estrutura da agroindústria deve estar associada às boas práticas de fabricação, que incluem cuidados básicos de higiene e mão-de-obra qualificada.”

HIGIENE

A pesquisadora explica que o processo de congelar a fruta em forma de polpa não tem nenhuma etapa que elimine microrganismos. “Por isso, é essencial adotar um sistema de sanitização da matéria-prima.” Antes de mais nada, orienta ela, o local deve ter uma fonte de água potável.

A estrutura básica, continua, inclui tanque para lavagem e sanitização das frutas (normalmente feita com cloro); despolpador, que serve para separar a polpa das sementes e da casca; dosadora e, se necessário, máquina seladora, além de um caminhão refrigerado para entregas. Por lei, todos os equipamentos devem ser de aço inox, por questões de higiene, já que o material não deixa resíduos. Conforme a pesquisadora, o estabelecimento deve ser devidamente fechado, para evitar a entrada de insetos, e ter piso e paredes laváveis. “Deve-se também adotar procedimentos básicos de higiene. Prática como lavar as mãos e usar luvas e botas são essenciais.”

ASSOCIE-SE

Para o produtor que não quiser investir sozinho em um sistema agroindustrial, a dica é associar-se a outros produtores. “O associativismo pode ser uma boa maneira de ingressar no mercado, pois o produtor sem capital suficiente tem como repartir despesas”, avalia Virgínia.

O produtor de cacau Geraldo Farias, que tem uma agroindústria de polpas congeladas em Itamari (BA), concorda. “Sem uma infra-estrutura mínima o negócio não anda. Uma opção é procurar parceiros que já tenham essa estrutura montada”, aconselha ele, que produz, no pico da safra de frutas tropicais, 30 toneladas de polpa/mês, comercializadas em toda a Bahia.