Pequenos produtores esquecem a seca e plantam mamona

22/01/2007

Pequenos produtores esquecem a seca e plantam mamona

Um convênio firmado entre a empresa Brasil Ecodiesel de Petrolina (PE) e cerca de 100 famílias de pequenos produtores da Bahia e de Pernambuco já sinaliza para um aumento na área com a cultura da mamona nos dois Estados. Não há cláusula estipulando a quantidade de hectare por família e isso faz com que cada uma participe com a área que tiver disponível e que possa pagar a mão-de-obra, o que pode representar o início de um plantio com mais de 250 hectares.
O incentivo oferecido pela empresa é visto como vantajoso por alguns dos que já fizeram o cadastro junto ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Juazeiro, responsável pela distribuição das fichas e inscrição dos produtores. O processo de formação da listagem começou em novembro do ano passado, no próprio sindicato, onde os agricultores familiares recebem seis quilos de semente de mamona, oito de feijão e uma pá.
A cada família é dada orientação técnica e informações sobre o biodiesel, por técnicos da empresa, e o pagamento do Seguro Safra de 60% dá ao agricultor a certeza da venda da produção. O acordo estimulou agricultores dos distritos de Salitre, Itamotinga, Pinhões, Maniçoba, Mandacaru, Massaroca, Juremal, Carnaíba do Sertão e Abóbora. Os benefícios são para agricultores que possuem áreas não-irrigadas, na realidade, 95% do total dos cadastrados.
Por um quilo de mamona colhido, o agricultor receberá R$ 0,58, em produtividade de 500 kg por hectare. A partir deste volume, terá adicionais, seguindo uma escala: de 501 a 700 kg/ha, o valor sobe para R$ 0,63 o quilo; de 701 a 900 kg/ha, passa para R$ 0,78, e acima mercializado na região”.
De acordo com o técnico da Brasil Ecodiesel Josildo da Silva Duarte, os produtores precisam seguir as instruções de cultivo para que não haja perda de produção.
“O período de formação ou de emergência é de 60 dias. Os produtores que plantaram no dia 13 de dezembro estão seguros por até 30 dias, já que o solo está bem molhado.
Em até 275 dias, a mamona vai começar a produzir”, informa. Ele diz que, quando a mamona amadurecer, o agricultor deve colher, com a preocupação de não deixar que o produto fique seco.
Além disso, orienta todos a plantarem o feijão 30 dias após o plantio da mamona, para que não haja disputa entre as culturas por espaços. “Pelas normas de plantio da empresa, é possível atingir 3.333 covas de mamona em um hectare plantado. A cultura da mamona precisa de água, mas não de excesso de umidade, pois pode acarretar doenças fúngicas. São necessárias 12 horas de luz solar por dia. A produção pode passar por oscilações por causa das chuvas, da temperatura e do zelo que é dado pelo agricultor”, acrescenta.
Na visão do agricultor Alessandro Meira Santos, mesmo com a escassez de chuvas neste período, a umidade (sereno) à noite está sendo uma aliada, por ajudar com a umidade. Um auxílio a mais, que se soma ao oferecido pelo técnico Josildo, à mão dos agricultores do Assentamento Bela Vista.
“Já trabalhei muito com a plantação de mamona em outras épocas, na região de Irecê, agora repasso o que sei para os companheiros, para que tudo dê certo e os demais agricultores possam ter mais essa ajuda”, comenta, otimista, o agricultor José Matais Pereira, 55 anos, presidente da Associação Agropecuária dos Pequenos Produtores do Assentamento Bela Vista.
de 90 kg/ha será pago R$ 0,83 pelo quilo. As famílias cadastradas terão à sua disposição uma debulhadora, a sacaria e a garantia do transporte do produto até a empresa.
O princípio da empresa é: o produtor entra com a terra, os custos de mão-de-obra, mas tem o produto ensacado no local.
"Por estarmos numa área de sertão, com baixos índices pluviométricos, esta é uma excelente alternativa para os agricultores familiares.
É preciso apostar na valorização da diversidade agrícola e no incentivo das empresas", afirma o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Juazeiro, Agnaldo Meira, chamando a atenção para a quantidade de iniciativas, que considera pequena diante do potencial da região.