Cresce plantio de transgênico no Brasil
Em dez anos, Brasil deverá ocupar o segundo lugar no ranking dos maiores produtores mundiais de alimentos transgênicos, os organismos geneticamente modificados (OGMs). O diretor do Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiltecnologia (ISAAA) no Brasil, Anderson Galvão, acredita que nesse prazo a área plantada no País deve ultrapassar a da Argentina, que hoje ocupa a segunda posição no, só atrás dos Estados Unidos. A aplicação dos recursos da biotecnologia no Brasil cresce em velocidade acelerada, quanto a área de plantio tanto da soja, quanto do milho, cuja liberação comercial desse último deve ser aprovada no início deste ano. O País que é um dos destaques na expansão da biotecnologia na América do Sul, foi um dos países que mais aumentou a área plantada no ano passado, com 2,1 milhões de hectares a mais, totalizando 11,5 milhões de hectares de soja e algodão. A semente da algodão foi comercializada pela primeira vez no País em 2006. No ano passado, a Argentina cultivou 18 milhões de hectares com OGMs. Segundo o estudo "Situação mundial da comercialização de grãos geneticamente modificados em 2006", divulgado ontem pelo ISAAA, a soja transgênica brasileira representa 54% da área nacional do grão (21 milhões de hectares em 2006). A expectativa é atingir 80% do total nos próximos dez anos, considerando uma projeção de 35 milhões de hectares de soja no País. Ao mesmo tempo, o milho deve atingir 60% do total cultivado em uma década, estimada em 18 milhões de hectares, contra 12 milhões no ano passado. A expectativa do ISAAA é que em dez anos a área plantada mundial de alimentos transgênicos alcance 200 milhões de hectares. Esse resultado virá principalmente da consolidação do plantio de soja transgênica no Brasil e da expansão da área do algodão, arroz, milho em países como Estados Unidos, China e Índia. Na Índia, por exemplo, a produção deverá crescer 80% até 2020. Diante da expansão da produção de biocombustíveis, Galvão diz ainda que a biotecnologia deve ser uma grande aliada para incrementar mais a produção dos combustíveis, tornando as lavouras de cana mais eficientes. Segundo o presidente do ISAAA, Clive James, as lavouras transgênicas espalhadas pelo mundo vêm crescendo rapidamente desde 2002, na casa dos dois dígitos nos últimos 12 anos. Mas a biotecnologia tende a se expandir mais nos países em desenvolvimento, já que está praticamente consolidada nos países ricos. O relatório do ISAAA mostra que a área plantada de OMGs cresceu 21% nos países em desenvolvimento entre 2005 e 2006, enquanto nos países ricos o avanço foi de 9%. "O crescimento do principio da biotecnologia na produção agricultura em países em desenvolvimento, com Brasil, Argentina e África do Sul indica que no futuro esses países serão grandes plantadores de lavouras transgenicas", disse James. Segundo James, o Brasil tem grande potencial em expandir o uso da biotecnologia. E isso poderá impactar ainda mais nas crescentes exportações de alimentos para a Ásia e Europa. Em particular, os Estados Unidos continuam liderando a expansão do uso da biotecnologia. Em 2006, elevaram em 4,8 milhões de hectares a área, para 54,6 milhões de hectares cultivados com OGMs. A Índia, que está emergindo como o principal líder na Ásia, ficou em segundo lugar no crescimento da área, elevando em 2,5 milhões de hectares, atingindo 3,8 milhões. Pela primeira vez, a Índia ultrapassou a China, ficando em quinto lugar no ranking mundial. (Viviane Monteiro e Rosana Hessel - Gazeta Mercantil)