Wagner diz que PAC fará Bahia crescer 7,5% ao ano

24/01/2007

Wagner diz que PAC fará Bahia crescer 7,5% ao ano

O governador JaquesWagner (PT) afirmou ontem, momentos antes de embarcar para Portugal, que as medidas do Programa de Aceleração do Crescimento anunciadas anteontem pelo presidente Lula pode se refletir em um crescimento anual do PIB baiano de 7,5%. O governador, no entanto, fez questão de frisar que este crescimento depende do sucesso do PAC de atingir a meta de crescimento de 5% ao ano para o Brasil.

Wagner justificou seu otimismo argumentando que as condições fiscais atuais e suas projeções para 2010 deixam o Brasil em situação confortável e que a Bahia tem um ambiente propício para atrair novos investimentos inseridos no PAC. Ele citou ainda os investimentos diretos do governo federal na infra-estrutura da Bahia. Entre eles já estariam garantidos recursos para o metrô de Salvador, a ferrovia Camaçari-Porto de Aratu, a Hidrovia do Rio São Francisco e a duplicação da BR-101 até Salvador.
As BRs 116 e 324 serão alvos de reformas via Programa de Parceira Público-Pr ivado.

“Garantimos todos esses recursos dentro do Plano Plurianual de Investimentos (PPI)”, disse o governador, referindo-se ao fato de obras incluídas no PPI não sofrem contingenciamento de recursos por causa do cálculo do superávit primário (economia de recursos para pagamento da dívida pública).

“Se a economia nacional for bem, nós que temos um parque industrial bem montado, temos capacidade de atrair investimentos.

Este ambiente positivo vai favorecer a atração de novos investimentos.

Além, é claro, dos investimentos diretos”, completou.

O governador também chamou a atenção para o fato de o PAC proporcionar ao Estado a redução da contrapartida no Programa Luz para Todos, de 20 para 10%. “Essa redução vai nos proporcionar uma economia de R$ 100 milhões e o secretário da Infra-Estrutura já estuda redirecionar esses recursos para outros investimentos”, comemorou Wagner.

Entusiasmado com o PAC, o governador baiano tratou ainda de rebater outros gestores estaduais que afirmaram que o plano vai provocar perda de receitas para os Estados. Essas perdas seriam provenientes de isenções nos impostos de Renda (IR) e sobre Produtos Industrializados (IPI), cuja arrecadação é repartida entre União, estados e municípios.

“Não concordo com essa análise.

A sociedade brasileira conclamava por menos impostos. A conta não deve ser feita estaticamente.

Quando se faz uma renúncia aparentemente se perde receita, mas se a medida que essa renúncia fiscal provoca o crescimento, vende mais produtos e atrai mais investimentos,investimentos, o produto ao invés de diminuir, cresce”, analisou.

Otimista, Wagner não quer perder oportunidades e, antes de viajar para Portugal, reuniu-se com a equipe de secretários na Governadoria.

A reunião durou das 9 às 14 horas. No encontro, o governador pediu que os secretários façam bons projetos executivos para disputar os recursos do PAC com outros Estados brasileiros. Também, durante a reunião, os secretários apresentaram projetos e ações prioritárias para o ano e os resultados que esperam alcançar até o final do primeiro quadrimestre.

EMBARQUE – O governador concedeu entrevista coletiva momentos antes de embarcar para Portugal em companhia da primeiradama Fátima Mendonça, o secretário de Turismo, Domingos Leonelli, e a presidente da Bahitursa, Emília Silva. A comitiva vai participar da Bolsa de Turismo de Lisboa.

Wagner, que retorna na sextafeira, trasmitiu o cargo ao vicegovernador Edmundo Pereira (PMDB) no próprio Aeroporto Internacional de Salvador, na sala reservada do Governo do Estado.

Wagner disse que vai aproveitar a feira para atrair novos empreendimentos do setor hoteleiro para a Bahia – hoje um dos destinos turísticos mais procurados por portugueses e espanhóis. Segundo o governador, a viagem para Portugal é a continuidade de um trabalho que fez antes mesmo de assumir o cargo, quando, no mês de novembro do ano passado, viajou para Barcelona e dialogou com empresários dos dois países que demonstraram interesse em investir na Bahia.

Durante a transmissão de cargo, Wagner, em tom descontraído, pediu a Pereira que não transferisse a capital da Bahia de Salvador para Brumado, município do qual foi prefeito por três vezes. Mas o governador petista não conseguiu se livrar de uma saia-justa. Ao ser apresentado ao filho do prefeito de Livramento de Nossa Senhora, o peemedebista Carlos Roberto Souto Batista, perguntou se estava tudo bem. Demonstrando contrariedade, o garoto respondeu: “Mais ou menos viu”. O motivo de sua irritação é o fato de adversários locais de seu pai terem aderido ao novo governo.

Wagner respirou fundo e retrucou: “São coisas da política. Veja que são eles que estão vindo para o nosso lado e não nós que estamos indo para o lado deles”. O garoto não perdeu a deixa: “Mas é muito difícil explicar isso ao povo”. Wagner bateu em seu ombro e entrou na sala para transmitir o cargo.