Moratória da soja começa a ser testada no mercado externo

25/01/2007

Moratória da soja começa a ser testada no mercado externo

Após o acordo inédito entre as grandes tradings de soja e as entidades ambientalistas, chegou a hora de seus signatários testarem os resultados. Em 24 de julho de 2006, a Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação Brasileira dos Exportadores de Cereais (Anec) se comprometeram a não comercializar nenhuma soja plantada no Bioma Amazônico. O acordo, qualificado como "moratória", foi firmado entre as duas entidades e organizações não governamentais dedicadas à preservação do meio ambiente, entre as quais, o Greenpeace.
Com o início da colheita de soja no Mato Grosso, Pará e Maranhão, exportadores e a indústria esmagadora de soja colocam à prova sua disposição de rejeitar qualquer caminhão carregado com grão de origem desconhecida. O presidente da Abiove, Carlo Lovatelli, diz que a tarefa de monitoramento da matéria-prima não será complexa.
Apesar de as lavouras de soja no Brasil ocuparem 21 milhões de hectares, dos quais, 1,15 milhão no Bioma Amazônico, não é difícil identificar a soja planta em área irregular. O cumprimento desse compromisso na sua totalidade, no entanto, só poderá ser testado no próximo ano, uma vez que o objetivo é barrar novos desmatamentos a partir de outubro. Não seria possível preparar essa suposta área para o plantio em espaço tão curto de tempo. As normas básicas para as boas práticas das atividades estão também em fase de elaboração. Grupos de trabalho deverão conduzir pesquisas sobre esse tema. Também deverá ser criado um instituto para a divulgação desses trabalhos, informa Lovatelli.
As entidades ambientalistas estão atentas. Informam que pretendem vigiar o cumprimento da moratória. "Qualquer deslize será denunciado", avisou o coordenador de Pesquisa do Greenpeace da Amazônia, Nilo D’Ávila. Ele confirma que as entidades de defesa do meio ambiente compõem os grupos de trabalho criados para monitorar a moratória. D’Ávila vê o acordo como um avanço das indústrias de óleo de soja e dos exportadores de cereais.
Lovatelli reconhece que a declaração de moratória atende a uma exigência do mercado. Consumidores europeus, especialmente, estão decididos a rejeitar todo produto, cujo cultivo por ventura tenha contribuído para o desmatamento da floresta Amazônica. O presidente da Abiove acredita que o consumidor é imperativo e quem não for sensível aos seus pleitos poderá ser excluído do mercado.
O representante do Greenpeace também afirma que as esmagadoras e os exportadores de soja têm de adotar outras boas práticas para se adequar ao mercado, como evitar a queima de lenha para secar a soja.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 7)(Isabel Dias de Aguiar)