Falta assistência aos municípios em emergência
Na Fazenda Julião, no povoado de Riacho do Iço, a 30 quilômetros do município de Abaré, localizado na margem direita do Rio São Francisco, a água só chega através dos caminhõespipa. É retirada diretamente no leito do rio e vem barrenta, sendo despejada em um buraco aberto na terra, para ser dividida entre homens e animais.
Na pequena fazenda, incrustada na caatinga, quatro quilômetros adentro do lado direito da BR-116, Dionato Belo da Silva, 62, a mulher, Maria Barbosa Gonçalves, 56, vive com quatro filhos no meio do mato.
A plantação de feijão e milho foi perdida há mais de três meses, quando começou o período de forte estiagem. O pouco gado que resta, anda solto no meio da caatinga à procura de alimento e água. E água, só chega de 15 em 15 dias, no caminhão-pipa.
Segundo explica Maria Barbosa, há quatro anos técnicos da Companhia de Engenharia Rural da Bahia (Cerb) estiveram no local e prometeram construir uma cisterna para armazenar água. “Até hoje a gente espera”, diz. Na casa também não há energia elétrica. Das duas filhas adultas – Maria Aparecida e Maria Bernadete – a mais velha, de 27 anos, só concluiu o Ensino Fundamental.
“A gente vive assim, nesse mundo perdido de Deus, mas o nosso maior drama é a água, que até para beber está difícil”, diz Dionato.
APELO – O drama na zona rural de Abaré é semelhante ao que acontece nos municípios de Macururé e Chorrochó, estes dois últimos no coração do Raso da Catarina, a região mais seca do Estado. EmMacururé, a 489 quilômetros de Salvador, a quase 60 quilômetros da margem do Rio São Francisco, até a água para beber é racionada. O mais grave é que o município está em situação de emergência desde agosto do ano passado, mas até agora não recebeu ajuda do Estado, mesmo a Coordenação de Defesa Civil (Cordec) reconhecido a situação de emergência.
Enquanto a situação se agrava na zona rural de diversos municípios, os prefeitos buscam a ajuda prometida. Em Curaçá, a 92 quilômetros de Juazeiro e a 592 quilômetros de Salvador, a situação de emergência, decretada há quatro meses pela prefeitura, não foi reconhecida pelo Estado, mas o município foi incluído entre os sete municípios baianos que recebem ajuda do Exército brasileiro, através do 72° Batalhão de Infantaria Motorizada, sediado na cidade de Petrolina, em Pernambuco.
Já em Macururé, onde a situação de emergência foi reconhecida pela Cordec desde agosto do ano passado, o prefeito José Augusto de Jesus conta com o trabalho de 10 caminhões-pipa custeados pela prefeitura. “Do Estado, até agora, só tivemos promessas”, diz. Cerca de 30% da área de Macururé está no coração do Raso da Catarina.
ADILSON FONSÊCA