Investimento de US$ 2,4 bilhões em fosfatados

26/01/2007

Investimento de US$ 2,4 bilhões em fosfatados

 

O Brasil vai deixar de importar 2,46 milhões de toneladas de fosfatados e nitrogenados em seis anos. O volume representa economia de pelo menos US$ 615 milhões ao País (considerando o valor de US$ 250 a tonelada). A projeção tem como base o investimento programado de US$ 2,4 bilhões da indústria instalada no país. O setor quer elevar em 30% a oferta nacional de fosfatados e nitrogenados com a exploração de duas minas e construção de uma fábrica.
O estudo de viabilidade econômica das minas já foi concluído. Elas estão localizadas em Catalão (GO) e em Tapira (MG). Já a planta industrial será implantada em outro estado do Centro-Oeste, provavelmente em Mato Grosso. Estão no projeto as empresas Galvani, Bunge, Petrobras, Mosaic e Fosfertil, segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Matéria-prima para Fertilizante (Sinprifert), Paulo César Mathias Tinoco.
Com esse aumento da oferta de matéria-prima em 30%, o setor pretende manter, nos próximos seis anos, a participação de 42% já consolidada no mercado brasileiro. "Isso porque projetamos que a agricultura crescerá também 30% nesse período", explica o executivo. Se não houver esse investimento, a indústria perderá espaço para os produtos importados, que já somam 58% de participação no mercado brasileiro, segundo Tinoco.Os associados do Sinpriferti aguardam uma definição da Câmara de Comércio Exterior (Camex) para dar sinal verde nesses projetos. O investimento pode até ser redimensionado caso não seja retirada essas matérias-primas - fosfatados e nitrogenados - da lista de exceção do Mercosul, de acordo com o presidente do Sinprifert. Desde março, esses produtos são isentos da Tarifa Externa Comum (TEC), que varia de 4% a 6%. E, segundo Tinoco, são nesses percentuais a perda de competitividade do setor frente ao produto importado. "Ao contrário do concorrente externo, nós já pagamos o imposto interestadual, porque produzimos no Sudeste e temos que transportar até o Centro-Oeste, que é nosso mercado consumidor", reclama Tinoco.
A maior parte das matérias-primas para fertilizantes é importada da Rússia, Estados Unidos, Ucrânia, Marrocos e Tunísia. Atualmente, a produção nacional de fosfatados e nitrogena-dos é de 8,2 milhões de toneladas, segundo informações do Sinpriferti. Juntos, participam em 34% da mistura do fertilizante acabado. O retorno da taxação é mal vista pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) que estima que vai onerar o valor do fertilizante, em média, em 5%. Por isso, a entidade enviou ao ministro da Camex uma carta de repúdio ao pedido do Sinprifert.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 7)(Fabiana Batista)