Associação Comercial disse que prioridade é revitalização
O governo federal não terá clima para executar as obras da transposição do Rio São Francisco a partir do próximo mês. A previsão é da presidente da Associação Comercial da Bahia, Lise Weckerle, que reafirmou a posição da Associação contrária à transposição, sobretudo se não houver a revitalização do rio. Mesmo após o anúncio feito pelo Ministério da Integração Nacional, Lise Weckerle antevê barreiras à implementação dos planos federais. “O papel aceita tudo, em discurso fala-se o que quer, mas há a diferença entre o discurso e o percurso”.
Discordante mais da forma como está sendo conduzido o processo do que pelo projeto em si, ela acredita que não se pode fazer um projeto desse tipo sem a aquiescência da sociedade, principalmente do estado que está sendo afetado. Lise Weckerle fez um paralelo entre a transposição e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última segunda-feira. Em ambos, não houve discussão pública nem estudos que comprovassem que as propostas corresponderão às expectativas.
A ACB é uma das entidades que tornou pública sua discordância quanto ao projeto. Em 2005, após uma palestra do ex-governador Paulo Souto, a instituição liderou uma mobilização junto a empresários dos cinco estados banhados pelo rio (Minas, Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco). Para a presidente, antes do projeto de transposição, deve haver a revitalização do Velho Chico
No final do ano passado, a associação voltou a enviar correspondência ao Ministério da Integração Nacional com questionamentos ao projeto. Segundo Lise Weckerle, as cartas são sempre respondidas com a garantia de que a transposição não será realizada sem os laudos comprovando a viabilidade, mas esses estudos ainda não foram apresentados.