Plantio alternativo em áreas irrigadas do semi-árido

29/01/2007

Plantio alternativo em áreas irrigadas do semi-árido

Criar alternativas de cultivo que fujam da linha manga-uva, carrochefe da fruticultura irrigada no Vale do São Francisco, é a meta que a Embrapa Semi-árido, em Petrolina (PE), busca há quatro anos.
A diversificação de cultivos em áreas irrigadas do semiaacute;rido representa um desafio às pesquisas em campos experimentais, onde já foram avaliadas espécies como caqui, tangerina, laranja, limão, pomelo, pêssego e oliveira irrigadas.
São culturas com alto valor agregado e potencial para ocuparem plantios comerciais nas áreas irrigadas no semiaacute;rido.
"Concentrar exploração agrícola baseada em uva e manga nestas áreas pode prejudicar bastante o negócio agrícola da região, que é um dos mais importantes do País”, diz Pedro Carlos Gama da Silva, pesquisador da Embrapa. Segundo ele, a situação produtiva tem levado o negócio das culturas de manga e uva a apresentarem problemas relacionados aos preços, o que pode se agravar com a expansão da área de cultivo para novos perímetros irrigados.
Um projeto da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf) planeja a implantação de 13 novos perímetros de irrigação na região do Vale nos Estados da Bahia e Pernambuco.
A intenção é disponibilizar 100 mil hectares para a agricultura irrigada nos próximos anos. “A identificação de espécies com potencial econômico é importante para o negócio agrícola da região”, diz o pesquisador.

ESTUDOS – Coordenada pelo engenheiro Paulo Roberto Coelho Lopes, a pesquisa que está em execução na Embrapa tem apoio financeiro da Codevasf. Em execução no Campo Experimental de Bebedouro da Embrapa SemiAacute;rido, uma das etapas mais importantes importantes do projeto avalia o potencial agronômico e econômico de espécies frutíferas e de uma oleaginosa, como os citros e a oliveira, com estudos bem mais avançados. Com os citros é feita a definição dos melhores porta-enxertos para laranjas, limões, tangerinas e pomelos.
De acordo com estudos desenvolvidos pela Embrapa SemiAacute;rido, vários fatores favorecem a exploração dos citros na região do Vale do São Francisco. Através do Instituto Pensa, da Universidade de São Paulo (USP), e após análises das condições de solo e clima das cidades de Juazeiro e Petrolina (PE), foi possível determinar que a citricultura na região, além de viável, ainda apresenta custos inferiores ao da citricultura tradicional com base no Estado de São Paulo.
Isso graças ao clima quente e seco, que dificulta a presença de doenças e fungos, diminuindo o custo de produção com defensivos.
No caso das oliveiras, a avaliação observa as diversas condições ambientais ao longo do Vale do São Francisco, inclusive em um microclima do semiaacute;rido localizado na Chapada Diamantina, onde as altitudes variam de 900 a 1.200 metros do nível do mar e as temperaturas entre junho, julho e agosto variam de 12º C a 16º C.
Os pesquisadores da Embrapa asseguram que as novas culturas de cítricos implantadas nas duas cidades devem ser voltadas para o processamento industrial, com possibilidade de destinar pequena parte da produção para o comércio de frutas in natura.
De acordo com a avaliação dos consultores do Instituto Pensa, a estimativa de custo operacional por hectare para a citricultura irrigada, no Estado de São Paulo, será 5% maior em relação à citricultura irrigada do Vale, mas o custo operacional aliado aos investimentos necessários, no cenário paulista, passa a ser menos vantajoso, apresentando um valor 22% maior do que em Juazeiro e Petrolina.

POMELO – No Projeto Mandacaru campo experimental da Embrapa em Juazeiro – existe uma área de 0,4 hectares, com cerca de 120 pés de pomelo, uma das frutas cítricas que fazem parte do estudo de culturas alternativas. Por fora, o pomelo parece um pouco com a tangerina, mas possui polpa vermelha gosto um pouco amargo, tendo desempenho considerado satisfatório pelos pesquisadores.
O resultado das pesquisas com as culturas dos citros mostra que boa qualidade comercial nos frutos colhidos, determinada pela intensidade da cor da polpa, teores de açúcar e boa produtividade.