Fábrica de farinha ajuda comunidade
O campo demonstrativo da Embrapa é o maior espaço com tecnologias geradas para mandioca do País. Com 10 hectares, é usado regularmente para treinamento de produtores, alunos da Casa Familiar Rural de Tancredo Neves, da comunidade e de colégios da região. Inicialmente, o Campo Demonstrativo de Tecnologias Para o Cultivo da Mandioca foi composto de 25 unidades demonstrativas, e hoje chega a 35 unidades. A possibilidade de o agricultor acompanhar todo o processo, desde o plantio até a colheita, é o diferencial do projeto.
Entre os diversos trabalhos realizados pelos pesquisadores, a associação das culturas, o manejo e a conservação do solo e a introdução de variedades melhoradas merecem um destaque.
“A mandioca é uma cultura muito erosiva e a região é bastante acidentada, por isso utilizamos o manejo para evitar a destruição do solo”, diz Antônio Carlos, destacando a técnica aplicada com o capim Vetiver, que retém a passagem de grande quantidade de água, durante chuvas comuns à região.
Curvas de nível, cordão de retenção, cobertura vegetal, cobertura morta, plantio ‘cortando’ o declive, capinas alternadas são algumas técnicas utilizadas. O agricultor de Tancredo Neves usa o cultivo ‘solteiro’, mas o trabalho indicou a consorciação com outras culturas, especialmente a banana tipo Terra (plátano), muito comum na região.
A cooperativa de produtores rurais de Presidente Tancredo Neves conta com uma fábrica de farinha, inaugurada em agosto de 2005, que dispõe de avançada tecnologia, permitindo processar 60 toneladas de raízes por dia, gerando 20 toneladas por dia de farinha. Conta com uma fábrica, em larga escala, de farelo de folha de mandioca.
O que diferencia a casa de farinha da Coopatan das unidades tradicionais que predominam na região é o funcionamento, à base de rigoroso controle de higiene e utilização de tecnologias limpas, como o uso de madeira renovável nos fornos e tratamento de resíduos.
No futuro, pretende-se usar gás natural das ricas jazidas da região.
Durante a produção da farinha, raízes da mandioca passa por uma lavagem, quando são retiradas as cascas e levadas para a prensa. Após a prensa, para retirada da água, a raiz é levada a três fornos, aquecidos a 90º C, que deixa a farinha quase pronta, depois vai ao forno maior, aquecido a 180º C, para torrar e, de lá, são peneirados, para, finalmente, serem ensacados e encaminhados para as prateleiras. A farinha está sendo comercializada nas lojas da Rede Wal-Mart/Bompreço e Ebal/Cesta do Povo, que são parceiros do projeto. (H.C.)