| Estado vai produzir 100 mil metros cúbicos de biodiesel por ano |
Os investimentos necessários na área industrial para o crescimento da produção são de cerca de R$ 100 milhões
As vantagens do estado
A Bahia é um dos maiores produtores brasileiros de algodão, soja e dendê, e o maior nacional de mamona, com potencial para girassol e pinhão-manso, plantas que são a matéria-prima para o biodiesel.
O estado possui também ampla área para ampliação de cultivares e um programa consistente voltado para o desenvolvimento do combustível, o que está atraindo diversas empresas do segmento para a produção em escala industrial.
O biodiesel é uma fonte de energia limpa que apresenta significativos benefícios ambientais em relação ao diesel extraído do petróleo. Cerca de 500 postos espalhados pelo país comercializam o biocombustível. Salvador, Vitória da Conquista, Santo Antônio de Jesus, Ilhéus e Itabuna contam com esses postos.
O biodiesel é cerca de R$ 0,05 mais barato que outros combustíveis, o que resulta numa economia de R$ 5 a cada 100 quilômetros rodados.
A produção de biodiesel da Indústria Brasileira de Resinas Ltda. (IBR), prevista inicialmente para 20 mil metros cúbicos anuais, será ampliada para 100 mil metros cúbicos anuais a partir da parceria recém-formada com a empresa norte-americana Comanche Energia S/A.
Representantes das duas empresas se reuniram ontem com o governador Jaques Wagner e com o secretário do Planejamento, Ronald Lobato, para discutir os detalhes da ampliação.
Para Lobato, o projeto de ampliação é importante, pois se soma à intenção do governo de diversificar operadores e fornecedores e de disseminar o biodiesel junto à agricultura familiar.
"As esmagadoras (equipamentos usados para esmagar as oleaginosas) serão instaladas no interior, nos municípios de Jacobina e Ourolândia, o que aumenta o valor agregado junto ao campo, além de que o projeto deve ser inaugurado a curto prazo, com repercussão muito grande na geração de emprego e renda", observou o secretário.
O empreendimento, segundo Lobato, não envolve recursos públicos e a participação do Governo do Estado se dá pela isenção do ICMS. Outro ponto positivo, disse, é o envolvimento de várias secretarias, principalmente as da Indústria, Comércio e Mineração, da Agricultura e de Desenvolvimento Social. "Esse é o típico projeto de interesse do governo Wagner", destacou.
Investimentos.
O diretor financeiro da Comanche, Ricardo Kume, afirmou que os investimentos necessários na área industrial para a ampliação da produção são de cerca de R$ 100 milhões. A operação deve começar após o leilão da Petrobras, em fevereiro, e a fábrica estará em pleno funcionamento até setembro deste ano."Estamos também desenvolvendo duas unidades de esmagamento e, junto com elas, 5 mil hectares próprios de plantio e outros 5 mil da agricultura familiar, porque na Bahia, para haver o selo social e a isenção fiscal, é necessário existir essa divisão", disse Kume.
Ele explicou que a Bahia foi escolhida para o investimento por diversos motivos. "A proximidade com o porto, que facilita a exportação, e com as refinarias e distribuidoras de petróleo; o mercado consumidor de óleo diesel e biodiesel, que aqui representa quase 10% do mercado brasileiro; e também porque a IBR já estava pronta para começar a produção, enquanto outras empresas estavam apenas na fase do projeto", informou.