Riqueza ainda pouco explorada
A efetivação da Área de Preservação Ambiental (APA) do Rio Preto poderia ser um instrumento importante para promover justiça social em Formosa do Rio Preto, município situado na região oeste do Estado e que apresenta a maior concentração de renda do Nordeste e a terceira maior do País, como A TARDE tem revelado nos últimos dois dias.
A APA do Rio Preto poderia estimular ações de geração de renda, como o ecoturismo, e o incentivar a produção agrícola voltada para o consumo regional, diz José Augusto Tosato, diretor do departamento de unidades de conservação da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh).
No entanto, a APA ainda não saiu do papel, assim como outras nove áreas do tipo na Bahia. Criada no ano passado, a APA do Rio Preto ainda não tem conselho gestor. O mesmo acontece com a da Bacia do Rio de Janeiro, localizada em Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, criada em 1993 e ampliada em 2001.
Essas duas áreas de preservação não possuem conselho gestor.
Isto significa que ninguém está acompanhando o manejo das áreas para observar o respeito à legislação estadual. Criada em junho de 2005, a Estação Ecológica do Rio Preto, por sua vez, não tem conselho executivo.
Sem os conselhos, formados por organismos governamentais e não-governamentais e representantes da sociedade civil, as áreas permanecem entregues ao uso desordenado, potencialmente prejudicial à conservação da vegetação e fauna nativa.
PERIGO – Com isso, o cerrado está ameaçado de ser extinto até 2030, segundo relatório da organização não-governamental (ONG) Conservação Internacional divulgado há dois anos.
O documento analisa imagens feitas por satélite que mostram que, entre 1995 e 2002, a área plantada de soja duplicou no cerrado.
Até 2002, 54,9% do bioma original já havia sido desmatado. Segundo o relatório, o desmatamento está mais presente no extremo oeste da Bahia, Triângulo Mineiro, Goiás, leste do Mato Grosso do Sul e centro do Tocantins.
PROMESSA – O cerrado é o segundo maior bioma nacional e aparece apenas no Brasil. Por isso, dotar as duas APAs do oeste baiano de conselho gestor e a Estação Ecológica do Rio Preto de conselho executivo será prioridade no início da gestão do governo JaquesWagner, promete Tosato.
Segundo ele, um plano emergencial a ser divulgado até o início de março deve prever ações de regularização imediata dos mecanismos de gestão das APAs do Rio Preto e do Rio de Janeiro.
“As 33 APAs do Estado já ocupam 10% do território baiano, mas têm significado muito pouco para a conservação.
Ao mesmo tempo, são uma potencialidade enorme, porque se tiverem um conselho gestor participativo e plural, poderão garantir a efetiva conservação e uso sustentável das áreas”, diz o diretor, que assumiu o cargo há apenas três dias e pretende promover, ainda em 2007, um debate público sobre o tema.