Rio enche e causa transtornos
Os 28 barraqueiros da Ilha do Rodeadouro, em Juazeiro, que dependem dos turistas, estão preocupados com a cheia do Rio São Francisco. As águas avançam cada vez mais e isso está provocando queda nas vendas. Em duas barracas no início da ilha a água já tomou conta de toda a área externa, faltando pouco mais de um metro para ficar com cobertura submersa.
As chuvas registradas no norte de Minas Gerais fazem com que o rio encha cada vez mais. O mesmo problema, com conseqüências bem mais graves, aconteceu em Malhada, no sudoeste do Estado, deixando cerca de 300 famílias desabrigadas e causando a morte de um homem.
Na região norte, o volume útil do reservatório do Lago de Sobradinho estava até ontem em 76% de sua capacidade total. De acordo com o gerente regional de Operações de Sobradinho, Alexandre Jorge Tavares de Souza, a situação hidrológica está sendo permanentemente avaliada, podendo haver alterações em função da evolução das chuvas e vazões na Bacia do São Francisco.
Para os barraqueiros, acostumados a verem, todo ano nesse período, a água do rio invadir o espaço que é usado pelos banhistas, seria necessário que tanto a prefeitura quanto a Chesf criassem um mecanismo de proteção ao trabalhador que fica sem alternativas de sobrevivência durante essa época.
PIRACEMA – “Por que não criar um seguro para os barraqueiros que não têm outra atividade, como é dado aos pescadores no período de Piracema? Dessa forma não teríamos tantos prejuízos e as vinte e oito famílias que vivem diretamente da comercialização nas barracas”, sugere Everaldo Melo Benevides, dono de uma barraca na ilha e presidente da Associação dos Barqueiros do Rodeadouro.
O barraqueiro Pedro Francisco Alves fechou a barraca e colocou todo o material de trabalho dentro do barco antes que a água tome conta da barraca e foi tentar trabalhar nos próximos quatro dias no Carnaval de Juazeiro, que começa hoje e prossegue até o dia 4 de fevereiro na orla da cidade.
“Só estou indo para a cidade porque a água está avançando e eu não tenho escolha”, afirma o barraqueiro.
Assim como ele, Valdemar Souza Guimarães espera que os visitantes não se afastem da Ilha do Rodeadouro por causa do problema.
Ele ainda mantém áreas com mesas e cadeiras montadas e oferece o banho de rio. Para ele, “o grande problema é que não temos renda extra e essa situação atrapalha a vinda das pessoas, até pela forma como é divulgada, como se já estivesse tudo coberto pela água”.
SITUAÇÃO INUSITADA – Thiago Almeida, que é da região, mas mora em Brasília há seis anos, disse que “nunca viu a ilha desse jeito”, mas Jairo Fernando Silva Mudo, um dos amigos que estava com ele na ilha, afirmou que sempre vem, “mesmo durante esse período”.
Segundo Jairo, já teve anos muito piores, como em 1992, quando a ilha ficou quase toda coberta pelas águas do São Francisco e os visitantes não puderam desfrutar do lazer que o local proporciona.
CRISTINA LAURA