Consumo doméstico deve representar metade da colheita

02/02/2007

Consumo doméstico deve representar metade da colheita

 

Começa a se desenhar um cenário inédito para a cafeicultura brasileira. Pela primeira vez o consumo brasileiro, estimado em 17,4 milhões de sacas - 6,55% a mais que o recorde de 16,33 milhões do ano passado - poderá representar 54% da colheita da safra. Ou seja, mais da metade da produção da temporada 2007/08, estimada em cerca de 32 milhões de sacas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
No ano passado, a fatia do consumo de café no mercado interno representou 38% da colheita de 42,5 milhões de sacas.
Os estoques baixos de café no Brasil e no mundo pode ameaçar a oferta do mercado interno, segundo o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), Nathan Herszkowicz. "A disponibilidade de café verde parece não ser suficiente para a demanda conjunta da exportação e do mercado interno porque, além do déficit potencial de 6 a 8 milhões de sacas na próxima safra, os estoques físicos brasileiros estão em nível baixo e os estoques oficiais de cafés antigos, de 1,9 milhão de sacas, serão inteiramente consumidos", acrescenta Herszkowicz.
Disse que pela primeira vez o Brasil poderá consumir neste ano mais café do que vender ao exterior. Hoje o País é o maior produtor e o segundo maior consumidor de café. Os Estados Unidos são os principais consumidores (20 milhões de sacas).
Os estoques públicos de café estão perigosamente baixos, conforme o secretário de produção e agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Linneu da Costa Lima.
Porém, Lima acredita que não deve faltar a matéria-prima no Brasil, pelo menos neste ano. "Ainda não temos a clara visão que faltará café’’. Ele pediu para aguardar o levantamento de estoques que a Conab está realizando, o qual será anunciado em 31 de março.
O secretário, entretanto, demonstrou mais preocupação com os estoques de passagem da safra 2007/08, já que a atual produção será pequena diante do aumento da demanda.
Do lado da indústria, Herszkowicz diz que o setor dificilmente deixará faltar o produto para o consumidor neste ano.
"Vamos disputar o café com os exportadores’’, disse o diretor da Abic. Ele lembrou que situação parecida a esta ocorreu no Brasil em 1997, quando a produção também foi menor que o consumo.
"O cobertor está curto, mas queremos que o cobertor cubra satisfatoriamente o mercado interno, até porque o ministério tem promovido recursos para o setor para que os produtores pudessem financiar os estoques e aguardar a melhor hora de vender seu produto’’, acrescenta Herszkowicz.
Diante do desequilíbrio entre a oferta e demanda, a Abic acredita que os preços ao consumidor devem subir entre 20% e 25%, em média no ano e gerar receita de 29,6% maior ( R$ 7,0 bilhões ) em relação aos R$ 5,4 bilhões de 2006. Em 2006, os estoques giravam em torno de 8 milhões de sacas.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 7)(Viviane Monteiro)