Bunge disputa a Vale do Rosário
A Bunge entrou no páreo para adquirir a Cia. Vale do Rosário, de Morro Agudo (SP). A informação foi confirmada ao Valor por Cícero Junqueira Franco, vice-presidente da Vale. A proposta foi formalizada ontem durante reunião entre os acionistas da usina. Na reunião, também foram discutidas outras duas propostas: a compra de 100% das ações da Vale pelo Grupo Cosan e a injeção de recursos de fundos de investimentos aos acionistas interessados em manter a usina nas mãos de seus atuais controladores. Procurada, a Bunge não retornou as ligações até o fechamento desta edição.
Segundo Junqueira Franco, a proposta da Bunge é de compra de 51% a 100% da Vale do Rosário. Uma nova reunião entre os acionistas está marcada para a próxima terça-feira para analisar as propostas colocadas na mesa. Ontem, os controladores da Vale do Rosário conseguiram uma liminar na Justiça suspendendo a realização de uma reunião convocada para hoje pelo grupo de acionistas detentores de 50,2% do capital da empresa e que pretende fazer negócio com a Cosan. Este grupo de acionistas promete recorrer da decisão judicial.
A direção da Vale do Rosário tem até o dia 26 de fevereiro para exercer o direito de compra das ações, por conta do estatuto da empresa. Fontes do setor, afirmam, contudo, que os maiores acionistas da Vale do Rosário - a família Junqueira Franco e o empresário Luiz Biagi - não têm condições de levantar os recursos para cobrir a proposta da Cosan.
A Vale do Rosário está avaliada em US$ 775 milhões. A oferta da Cosan pela fatia de 50,2% foi de US$ 389 milhões. Para exercer o direito de compra, os acionistas da Vale teriam de injetar US$ 389 milhões até o dia 26 de fevereiro.
A Bunge é considerada uma boa parceira estratégica dos atuais controladores da Vale do Rosário para tentar barrar a entrada da Cosan no negócio. Até ontem, a compra pela Cosan é dada como certa pelo mercado.
A Cosan tem do seu lado 50,2% dos acionistas interessados em vender seus papéis. No mercado, há informações que há um "racha" entre os acionistas que estão do lado dos atuais controladores da Vale do Rosário, o que pode aumentar a participação da Cosan. A Vale do Rosário nega. Cícero Junqueira Franco, vice-presidente da Vale do Rosário, afirmou que interessa aos controladores da usina manter a idéia original do grupo de unir forças com a Santa Elisa para uma futura abertura de capital.
No início do segundo semestre de 2006, a Vale do Rosário anunciou que estava em processo de reestruturação, com o objetivo de abrir o capital da empresa. À época, parte dos acionistas da empresa, um total de 109, anunciou interesse em se desfazer de suas ações, mas não chegou a um acordo sobre preços desses papéis. Com faturamento líquido em torno de R$ 425 milhões, a Vale do Rosário tem 50% de participação na usina MB, 53% na usina Jardest, ambas de São Paulo, e 24,5% na Crystalsev. O grupo está investindo R$ 150 milhões na construção de uma usina em Frutal, no Triângulo Mineiro.
Paralelamente ao processo de reestruturação, a Vale do Rosário e a Cia. Energética Santa Elisa, de Sertãozinho (SP), iniciaram conversações para realizar uma fusão entre as companhias, envolvendo também as usinas que estão sob o guarda-chuva da Crystalsev.