Fantasma da aftosa ainda ronda Mato Grosso do Sul
O fantasma da febre aftosa continua a assombrar os pecuaristas de Mato Grosso do Sul. O Ministério da Agricultura divulgou ontem o resultado final dos estudos sorológicos realizados para avaliar a circulação do vírus da doença nos municípios de Eldorado, Japorã e Mundo Novo. E a conclusão aponta para a existência de atividade viral. Assim, fica mais longe a meta de voltar a ter o reconhecimento internacional como área livre de aftosa com vacinação. Os resultados indicam uma forte atividade viral na região dos três municípios. Com isso, a área deve permanecer interditada e ter intensificadas as ações sanitárias de reforço da vacinação do gado com idade inferior a 12 meses e da fiscalização e vigilância por fiscais agropecuários.
Os testes feitos em 11.449 amostras de 444 propriedades detectaram resultado reagente para a aftosa em 2,7% dos bovinos com idade entre seis e 12 meses. A maior concentração ocorreu em Japorã, que registrou 4,9% de gado reagente. O índice é "bem superior" aos encontrados nos estudos semelhantes realizados em zonas livres de aftosa. Normalmente, esse valor, derivado de "reações inespecíficas" ou da vacinação do rebanho, chega a 1% dos bovinos amostrados. "Além disso, foram registrados aumentos significativos de reatividade em unidades primárias de amostragem localizadas nos três municípios interditados", diz a nota técnica emitida pelo diretor do Departamento de Saúde Animal, Jamil Gomes de Souza.
O estudo foi feito entre outubro de 2006 e janeiro de 2007. Antes, entre março e julho de 2006, o ministério havia feito testes com 9.947 amostras de 382 fazendas, que foram prejudicados pela vacinação maciça do gado da região suspeita de infecção pela aftosa. "Esse fator comprometeu a segura interpretação do trabalho", disse.
O ministério informou que o problema está restrito às três localidades. Nos demais municípios de Mato Grosso do Sul, as autoridades sanitárias encontraram um índice de reatividade de apenas 0,2% em 26 bovinos de 13 propriedades. O estudo geral envolveu 12.763 amostras coletadas em 483 propriedades do Estado. Os testes foram feitos em áreas de municípios vizinhos à área interditada, em fazendas que receberam gado daquelas áreas nos últimos três meses, localizadas ao longo da linha de fronteira internacional ou em municípios com grande movimentação de animais. "(...) não foram observados sinais compatíveis com doença vesicular (como a aftosa). Os bovinos reagentes foram submetidos a duas colheitas de líquido esofágico-faríngeo para pesquisa viral, sendo todos os resultados negativos", conclui Gomes de Souza.
O ministério considera "suficientes" as ações sanitárias conduzidas nos focos de atividade viral para impedir a difusão da doença para outras áreas além dos três municípios.