Florestas e etanol, saídas para a pobreza no Piauí
Um dos Estados menos desenvolvidos do Brasil, o Piauí tem pressa em romper esse estigma. Nesse sentido, o governo estadual pediu à Codevasf projetos para identificar as possibilidades de exploração de recursos florestais e de implantação de um pólo alcooleiro na região do Vale do Parnaíba, que com 250,5 mil quilômetros quadrados cobre quase todo o território piauiense.
Em outubro de 2004, a Fundação de Pesquisas Florestais do Paraná (Fupef) foi contratada para dar números ao programa de desenvolvimento florestal previsto para a região pelo Plano de Ação para o Desenvolvimento Integrado do Vale do Parnaíba (Planap), elaborado pela Codevasf em parceria com governos estaduais do Piauí e Maranhão e instituições públicas e privadas. Segundo Adriano Lopes Pereira de Melo, gerente de Meio Ambiente da área de revitalização de bacias hidrográficas da Codevasf, o programa foi desenvolvido a pedido do governo do Piauí e envolve plantio florestal (com uso de espécimes de rápido crescimento, como o eucalipto), manejo de variedades nativas e a criação de unidades de proteção, com recuperação e conservação de áreas de interesse para a biodiversidade.
Uma das propostas do programa, defendido por Melo e Joésio Siqueira, consultor da Fupef e diretor da STCP Engenharia de Projetos Ltda - encarregada de realizar estudos de campo e avaliar o potencial da região para a produção de madeira a partir de áreas cultivadas e do manejo controlado de espécies nativas -, é reduzir as pressões sobre os recursos naturais e evitar o desmatamento. Com base em dados do Planap, entre 2001 e 2003 o Piauí perdeu 6,34% de suas matas ciliares, derrubadas para abrir espaço à agropecuária e abastecer siderúrgicas e gusarias do Maranhão, que são grandes consumidoras de carvão.
O modelo sugerido pela STCP e Fupef contempla a instalação de empresas âncoras, especializadas em empreendimentos florestais, que liderariam a implantação de clusters, com a inclusão de pequenos e médios produtores e emprego de mão-de-obra local. Foram selecionadas duas sub-regiões (Teresina e Uruçuí), atingindo 73 municípios. A princípio, os estudos envolveram a província de Teresina, que engloba 48 municípios e abriga quase 1,3 milhão de habitantes, numa área total de 4,8 milhões de hectares. Ali, as análises de viabilidade identificaram 635,4 mil hectares propícios ao plantio efetivo de eucalipto.