Na área florestal, estima-se que os investimentos necessários somem cerca de R$ 2 bilhões
Apenas na área florestal, diz Siqueira, será necessário investir cerca de R$ 2 bilhões. A instalação de indústrias, seja para a produção de madeira processada, fabricação de celulose ou mesmo móveis e acessórios, exigirá aportes superiores a R$ 9 bilhões. Incluindo-se os quase R$ 1,6 bilhão previstos para a instalação de quatro usinas de álcool na região do Platô de Guadalupe, o investimento projetado para o Vale do Parnaíba chega a quase R$ 13 bilhões. As empresas- âncoras, conforme o projeto de viabilidade, deverão responder por metade dos investimentos e da área de florestas a ser implantada, participando com 52% da produção projetada de madeira. O restante deverá ser aportado por médios e pequenos produtores. A província de Teresina registra 49 mil proprietários rurais de pequeno porte - 93% do total de propriedades na região, com terras de até 99 hectares e uma participação de 46% na área total.
Ao mesmo tempo, a Codevasf contratou a FGV Projetos, braço da Fundação Getúlio Vargas (FGV), para identificar áreas propícias ao plantio de cana no Vale do Parnaíba. Após percorrer 1,7 mil quilômetros na região, a equipe da FGV Projetos, coordenada pelo consultor Antônio Bogado, fixou-se no Platô de Guadalupe, na porção mediana do vale, cerca de 300 quilômetros ao sul de, Teresina, perto da barragem da Usina de Boa Esperança. "Escolhemos o platô por sua topografia e solo favoráveis, garantia de abastecimento de água e um clima que não é totalmente árido", detalha Bogado. A área disponível para plantio soma de 90 mil a 110 mil hectares, com potencial para a produção de 8 milhões de toneladas de cana e 720 milhões de litros de álcool por safra.
O modelo sugerido pela FGV Projetos prevê a instalação de quatro módulos, cada um com 28 mil hectares e capacidade inicial para 2 milhões de toneladas, num investimento total de R$ 1,6 bilhão ao longo de 12 anos - prazo estimado para a entrada em operação da quarta e última unidade. "Mas será possível começar a produção em três ou quatro anos", afirma Bogado. A onda de investimentos no segmento parece dar razão a Bogado, especialmente diante das expectativas criadas a partir do avanço dos veículos bicombustível no país. "Projetando um crescimento anual de 6% para a frota apenas no Piauí, em 12 anos haverá demanda de 500 milhões de litros de álcool, o que representará 55% da produção própria do Estado, estimada em 900 milhões de litros. Isso sem mencionar Estados vizinhos".
O pólo canavieiro do Vale do Parnaíba demandará um suprimento complementar de água equivalente a 600 milímetros por ano, que serão bombeados desde a barragem de Boa Esperança - já que o platô situa-se 200 metros acima do nível do reservatório. Como a barragem chega a acumular, nas fases de baixa, perto de 1,9 bilhão de m³ de água, só o projeto consumirá o correspondente 28% da capacidade mínima do reservatório. O sistema permitirá a utilização de técnicas de gotejamento para complementar a necessidade hídrica das lavouras, alimentado pela energia que será co-gerada pelas usinas a partir do bagaço da cana.
Com a irrigação, que vem sendo utilizada com bons resultados pela Itajubara S/A Açúcar e Álcool, do grupo João Santos, em Coelho Neto (MA), afirma Bogado, a produtividade média esperada no Vale do Parnaíba deverá girar em torno de 100 a 110 toneladas de cana por hectare, com previsão de 10 cortes antes do replantio. O pólo deverá criar 1,2 mil empregos diretos nas usinas e mais 1,6 mil na lavoura, além de outros 4 mil postos sazonais durante os sete meses de colheita. A idéia é que seja utilizada mão-de-obra local, inclusive para os setores de administração e financeiro. "Por isso, será realizado um esforço para capacitação técnica e formação de quadros na região". O projeto, que exigirá a abertura de 500 quilômetros de estradas vicinais e 50 quilômetros de canais de irrigação apenas na rede principal, tem prazo de retorno para o capital investido projetado para nove anos.