Parceria entre a SEC e o MST leva alfabetização ao campo
Cerca de 15 mil pessoas da zona rural serão beneficiadas pelo projeto, mas a meta é dobrar esse número
O Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), que representa 20 mil famílias assentadas na Bahia, será parceiro da Secretaria da Educação (SEC) para alfabetizar inicialmente cerca de 15 mil jovens e adultos na zona rural.
O anúncio foi feito na segunda-feira, quando representantes da direção nacional e estadual do MST foram recebidos pelo secretário da Educação, Adeum Sauer. No encontro, ficou definido que esse número pode dobrar, através da articulação do MST com outros movimentos sociais do campo.
Sauer avaliou como positiva a adesão de movimentos sociais como o MST para a consecução da meta de reduzir em 50% o índice de analfabetos adultos nos próximos quatro anos, "uma vez que grande parte da população sem escolaridade mora na zona rural – são cerca de 1,2 milhão de analfabetos no campo."
Além disso, um representante do MST foi convidado a integrar o grupo de trabalho que vai definir a matriz metodológica que servirá de base para a alfabetização nos diferentes segmentos da sociedade.
"A educação é um direito de todos e precisa contemplar os educandos em suas diferentes especificidades. Vamos construir uma metodologia flexível, capaz de ser adaptada a diversos segmentos, como o homem do campo, o aluno indígena, pessoas da terceira idade e jovens", destacou o secretário.
Ele adiantou que o início das aulas da primeira etapa está previsto para agosto, com o cadastramento e a capacitação de professores alfabetizadores começando em junho.
No encontro, os dirigentes do MST também apresentaram uma pauta de investimentos com 19 itens, incluindo a construção de escolas em assentamentos, infra-estrutura para cursos de educação superior voltados às demandas do campo, instalação de espaços pedagógicos, como bibliotecas, além da conclusão da obra da escola técnica estadual no Assentamento Terra Vista, no município de Arataca.
Sauer avaliou item por item da lista, realizando os encaminhamentos necessários a cada demanda.
Segundo o MST, a Bahia tem hoje 576 assentamentos legalizados pelo Incra, onde vivem 47 mil famílias. Desses assentamentos, 119 são representados pelo MST.
Localizadas em assentamentos e acampamentos, funcionam 180 escolas, a maioria com oferta da 1a à 4a série do ensino fundamental, totalizando 9 mil alunos. Predominantemente, as classes são multisseriadas. Ou seja, agrupam alunos de diferentes séries numa mesma sala, e os professores são da rede municipal.
Fixação do homem ao campo
"Queremos contribuir para fixar o homem ao campo, porque as cidades não comportam mais uma expansão desordenada. Para isso, precisamos de condições adequadas para educação e desenvolvimento na zona rural", afirmou a diretora estadual de Educação do MST, Djacira de Oliveira.
"Temos grande expectativa com o atual governo. Na gestão anterior, o Estado se omitiu, atribuindo toda a responsabilidade ao governo federal", ressaltou um dos dirigentes nacionais do movimento, Márcio Matos.