Wagner faz balanço dos
primeiros 43 dias de governo
Em entrevista à TV Itapoan, ele destacou o espírito de equipe e mostrou ações implementadas por sua administração
Desafios, investimentos no Carnaval, geração de emprego e renda e segurança. Esses foram alguns dos temas tratados ontem pelo governador Jaques Wagner em entrevista ao apresentador Raimundo Varella, no programa Balanço Geral, para falar sobre os primeiros 43 dias de governo.
"Faço um balanço extremamente positivo desse período. Tivemos algumas surpresas complicadas no começo, mas, felizmente, com o espírito de equipe, superamos. Por exemplo, a questão do sarampo, onde rapidamente a Secretaria da Saúde conseguiu montar um processo de vacinação para evitar que o problema se alastrasse", declarou o governador.
Ele iniciou a entrevista falando sobre a questão da segurança, que, na sua opinião, preocupa o país inteiro, "especialmente o Sudeste, onde a violência e as quadrilhas organizadas têm apresentado um poder de fogo muito maior do que na Bahia."
Wagner disse que a Bahia tem à frente da Secretaria da Segurança Pública um delegado da Polícia Federal com 30 anos de carreira, um serviço de inteligência bem montado, uma Polícia Civil que está sendo remotivada e uma Polícia Militar que considera de Primeiro Mundo.
O governador lembrou que este ano está sendo realizado um investimento de R$ 14,5 milhões na área de segurança para o Carnaval. "Mas a sociedade recebe de volta os frutos de uma festa popular que é a maior a céu aberto do mundo e com um número de incidentes bastante razoável, em relação ao número de pessoas que circulam durante o evento", observou.
Para ele, é fundamental o diálogo entre as polícias Civil e Militar e a sociedade, numa linha moderna de trabalho em sintonia com o governo federal, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública. "Temos a certeza de que poderemos melhorar ainda mais esse quadro, e a Secretaria da Segurança tem conseguido êxitos fundamentais para afastar daqui o chamado crime organizado", afirmou.
Desafios. Wagner falou dos principais problemas enfrentados nos primeiros momentos do seu governo, dizendo que recebeu a Ebal totalmente quebrada, com um prejuízo acumulado de cerca de R$ 300 milhões, sendo R$ 80 milhões para fornecedores, e referentes somente ao ano passado.
"Estamos fazendo um trabalho corajoso para revitalizar e recuperar a empresa e já começamos a enxugar a sua estrutura. Para salvá-la, vamos ter que usar um tratamento empresarial, com um contingente que corresponda à necessidade de cada loja", explicou.
O governador falou também sobre as cheias do São Francisco e disse que a PM já mandou dois caminhões para Bom Jesus da Lapa e que os secretários de Infra-estrutura e de Desenvolvimento Social irão supervisionar todas as áreas atingidas.
Outra questão apontada por Wagner foi a estrada da Serra do Marçal, na região de Vitória da Conquista, "que, infelizmente, por desleixo dos governos anteriores, teve a pista interditada, para evitar problemas maiores."
Ele informou que já foram construídas vias alternativas para reduzir os transtornos, com a participação dos prefeitos da região e o Ministério Público. "Já está contratada uma obra emergencial para a área, um trabalho duro, porque é uma encosta muito alta que perdeu totalmente a sua sustentação", ressaltou.
Sobre a relação do Estado com os funcionários públicos, contou que já houve uma primeira reunião com todos os representantes dos trabalhadores, aos quais foi enviada uma minuta do regimento da mesa de negociação permanente, que terá em 6 de março a primeira rodada. "Então, estamos apontando os pontos essenciais para depois começarmos os grandes investimentos", declarou.
Os investimentos federais também foram abordados na entrevista. "Creio que vamos receber o apoio do governo federal esperado pela gente baiana. Amanhã (hoje), inclusive, vou novamente a Brasília para discutir novos itens de investimento federal para o nosso estado", afirmou.
PAC. Quanto ao Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), o governador disse que é um investimento de R$ 500 bilhões em quatro anos. "As bases estão lançadas e representam o equilíbrio da economia, que já se sustenta. Veja o controle da inflação, os juros altos caindo, uma reserva de mais de US$ 90 bilhões, coisa que nunca houve no Brasil, e o superávit na nossa balança comercial", destacou.
Ele lembrou que a Petrobras tem uma parcela significativa nesse investimento, de R$ 170 bilhões. "Aí, chamo a atenção de que, quando chegamos ao governo federal, em 2003, a empresa vinha reduzindo seus investimentos. Em 2002, ela investiu R$ 6 milhões. Em 2006, foram R$ 16 milhões e vai investir R$ 50 milhões só em 2007", explicou.
Wagner declarou que dentro do PAC há vários investimentos em infra-estrutura que alcançam a Bahia. "Assinamos um convênio, no sábado, com a presença do presidente Lula, da chamada Via Expressa do Porto de Salvador, no valor de R$ 190 milhões. Já temos também o dinheiro para fazer o acesso ao aeroporto e devemos ampliar para R$ 76 milhões os R$ 38 milhões que estavam previstos para essa obra e realizar o conjunto de viadutos necessários para o local", afirmou.
O governador lembrou ainda de outros grandes projetos que estão sendo discutidos, como a Hidrovia do São Francisco, o projeto executivo da ligação Brumado/Bom Jesus da Lapa e depois até Barreiras "e a sonhada Ferrovia Oeste/Leste."