Colheita de soja avança, mas mercado mantém-se em alta

14/02/2007

Colheita de soja avança, mas mercado mantém-se em alta

 

Percentual colhido é de 7% em todo o País; em MT, chega a 17% e os preços continuam subindo. A colheita de soja no Brasil já atinge 7% da área total, estimada em 21,3 milhões de hectares pela AgRural. Ao contrário do que ocorre normalmente na "boca de safra", os preços estão em alta, mesmo nas regiões com maior oferta do grão, como em Mato Grosso. Em Sorriso, o valor da saca subiu 2,5% entre meados de janeiro e ontem. No mesmo intervalo de 2006, a queda foi de 18%.
E a oferta do grão era, praticamente, a mesma nesse mesmo período do ano passado, quando tinham sido colhidos 5% da área, segundo Seneri Paludo, da Agrural. A influência dos fundos de investimento no mercado de commodities também justifica a manutenção dos preços. Na primeira quinzena de fevereiro de 2006, a soja era cotada na bolsa americana a US$ 5,80 por bushel, valor que está em US$ 7,5 por bushel este ano.
Além disso, segundo Seneri, não está havendo muita pressão de oferta como se esperava no Centro-Oeste, sobretudo em Mato Grosso - que reponde por 27% da produção nacional da oleaginosa. Pela antecipação de plantio no estado, o mercado esperava que 25% da área estivesse colhida neste momento, percentual que está em 17%.
Com os bons preços, as vendas antecipadas do grão em todo o Brasil aumentaram. Os contratos começaram a ser firmados em julho de 2006 e fecharam dezembro com o percentual de 40%. Em janeiro, avançaram para 46%. "Trata-se de um recorde. O maior índice registrado tinha sido o da safra 2004/05, quando cerca de 45% da safra foram vendidas antecipadamente. Mas, nesse caso, os preços em Chicago também estavam recordes, acima de US$ 9 por bushel", pondera Seneri.No caso desta safra, segundo o analista, a motivação do produtor foi a garantia de preços melhores, depois de duas safras com de dificuldades.
Os preços fixados nos contratos dessa safra foram superiores aos da safra anterior, com mais vantagem para quem fechou em janeiro, conforme afirma Seneri. A média de preço dos contratos firmados até dezembro foi de US$ 6,5 a US$ 6,8 por bushel. Em janeiro, aumentou para US$ 7 por bushel. "Na safra passada, os papéis tiveram preço médio foi de US$ 5,5 a US$ 6 por bushel", compara.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 8)(Fabiana Batista)