Embrapa já exporta conhecimento
A Embrapa Agroindústria Tropical, baseada em Fortaleza (CE), recebe nesta semana nove técnicos da Guiana e do Suriname para treinamento0 sobre técnicas de produção e processamento de caju. A iniciativa faz parte de acordo de cooperação técnica acertado por meio da Assessoria de Relações Internacionais e coordenado pela Agência Brasileira de Cooperação. Os cursos acontecem na sede da empresa, em Fortaleza, e no Campo Experimental de Pacajus, a 55 km da capital. O trabalho com os dois parceiros foi iniciado em meados de 2006 e terá duração média de um ano. De acordo com Vitor Hugo de Oliveira, executivo de comunicação e negócios da Embrapa Agroindústria Tropical, a cada dia cresce o interesse da América do Sul e da África pelo desenvolvimento sustentável da agricultura. Atualmente, a unidade de Fortaleza tem acordos de cooperação na área de fruticultura tropical com outros cinco países: Equador, El Salvador, Guiné Bissau, Haiti e Jamaica. "São países que possuem semelhanças com o Nordeste, não apenas no que se refere às condições de clima e solo, mas também nas dificuldades econômicas e sociais", observa o executivo, para quem os acordos de cooperação oferecem oportunidades de aprendizado mútuo e também de negócios, principalmente com empresas nacionais que produzem equipamentos para a agroindústria. Segundo Oliveira, parte das tecnologias transferidas está voltada ao processamento e aproveitamento de frutas. A estratégia de desenvolvimento de projetos conjuntos em outros países contempla visitas de pesquisadores da Embrapa para identificar os principais problemas e os potenciais para o desenvolvimento de cultivos de espécies frutíferas tropicais em bases sustentáveis; e cursos de treinamento no Brasil, para que o conhecimento seja disseminado. Num terceiro momento, a equipe brasileira retorna ao país para futuros projetos de parceria. Ações do gênero foram desenvolvidas pelos governos do Brasil, Guiana e Suriname, segundo Oliveira. A mesma agenda é seguida com El Salvador, que recebeu a visita de dois pesquisadores da Embrapa Tropical em novembro para um diagnóstico das principais áreas produtoras de caju. Dois pesquisadores das áreas de melhoramento genético e processamento de frutas seguem em março para El Salvador. No mesmo mês, o governo do Haiti vai receber dois técnicos brasileiros, para dar continuidade ao projeto que inclui a instalação de uma minifábrica de beneficiamento de castanha de caju; treinamento para a operação da unidade processadora; e curso para produção de mudas de cajueiro. Ainda em março, pesquisadores da empresa desembarcam no continente africano, para auxiliar os técnicos do Ministério da Agricultura da Guiné Bissau a elaborar um memorando de entendimento com o Brasil. As tecnologias desenvolvidas no Ceará para o aproveitamento do pedúnculo do caju interessam ao governo de Guiné Bissau, que enviou em novembro de 2006 uma agrônoma do Ministério da Agricultura para receber treinamento na Embrapa Agroindústria Tropical. No caso da Jamaica, o programa de cooperação vai ser mais amplo. Inclui treinamento que visa diversificação e aprimoramento da fruticultura tropical no país. A iniciativa conta com participação da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical (Cruz das Almas/BA). (Gazeta Mercantil)