Verticalização ajuda a superar crise no campo

15/02/2007

Verticalização ajuda a superar crise no campo

 

Além de cultivar cereais, grupo faz recria e engorda de bois e exporta carne suína para o Canadá

 

'Muito da nossa capacidade de superar crises deve-se à receita econômica, baseada em seis atividades.' A afirmação é do gaúcho Otaviano Piveta, da Vanguarda do Brasil, que há vários anos está colhendo os lucros da verticalização da produção em suas fazendas em Nova Mutum (MT). Começou com arroz de sequeiro em 1983, depois introduziu soja, algodão, milho, suínos e, no ano passado, confinamento de gado. Produz genética suína e faz terminação de 140 mil animais/ano. Participa da Integração das Cooperativas de Mato Grosso (Intercoop), que exporta carcaça suína para o Canadá, ao preço e US$ 2.000 a tonelada.

Em 2006, engordou 13 mil cabeças de nelores e cruzados. A meta, este ano, é 60 mil cabeças entre recria (120 a 140 dias) e engorda (90 a 100 dias). Piveta optou pelo confinamento visando a melhorar a rentabilidade do negócio. 'A receita econômica sempre foi a diversificação. É agregar valor, transformar, em vez de gastar com frete para os centros comerciais', observa. 'Nos dois últimos anos, os grãos não deram lucro. Graças à pecuária, deu para levar.'

A diversificação também tem ajudado a controlar melhor pragas e ervas daninhas, destaca Piveta, que possui 86 mil hectares lavouras.

Segundo o superintendente de produção pecuária do Vanguarda, Adir Freo, a alimentação dos animais é feita com uma ração composta por soja e milho, cuja produção é normatizada pela EurepGap. 'Buscamos a sustentabilidade da propriedade. Temos o manejo integrado de pragas para todas as culturas e fazemos a rotação de cultura com a própria safra.'

Cada 2,8 quilos de alimentos ingeridos é transformado em 1 quilo de carne. O custo de alimentação corresponde a
R$ 1,80 por animal/dia, com retorno de 1,40 quilo por dia de peso vivo, ou seja, 730 gramas de carne, ou R$ 2,40.

SAÍDA

Outro que aderiu à diversificação foi Marino José Franz, da Fazenda Mano Julio, em Ipiranga do Norte (MT). Planta soja, milho, algodão, engorda 25 mil suínos/ano e começou a confinar bois em 2006.

'A diversificação é a saída para o produtor por causa da logística e do aproveitamento da matéria orgânica disponível na propriedade', diz. Confinou 7 mil cabeças e este ano pretende ampliar para 12 mil. 'Paguei R$ 43/R$ 44 pela arroba do novilho e vendi boi a R$ 60/arroba', conta Franz. 'Em outubro de 2006, o preço do boi reagiu e a receita foi excepcional; melhorei a lucratividade com o gado e consegui agregar 20% na renda em menos de quatro meses.'