Hortaliças protegidas da chuva

15/02/2007

Hortaliças protegidas da chuva

Com estruturas simples ou mais sofisticadas, é possível reduzir riscos de doenças e pragas e colher com qualidade

Para colher hortaliças com qualidade nesta época do ano - em que chove muito e o calor é grande - a única opção para evitar perdas é adotar o cultivo protegido. “Principalmente em São Paulo, que neste início de ano registrou índice de chuvas recorde, a horta só é viável em ambiente protegido”, diz o pesquisador Nozomu Makishima, da Embrapa Hortaliças. Segundo ele, no caso de hortaliças, o excesso de chuva mais prejudica do que beneficia. “As chuvas deixam o solo encharcado e hortaliças não se desenvolvem bem em terrenos encharcados”, justifica Makishima.

Outro inconveniente, diz, é o impacto da gota de água nas plantas, que, sobretudo em folhosas, causa danos e as desvaloriza no mercado. “A aparência é prejudicada e o apodrecimento é mais rápido. As hortaliças ficam com aspecto sujo e exigem mais mão-de-obra para a lavagem”, explica o pesquisador Luis Felipe Villani Purquerio, do Instituto Agronômico (IAC). “Somado a isso, há o surgimento de doenças fúngicas e bacterianas, favorecido pela associação de umidade e calor.” Makishima diz que microrganismos penetram na hortaliça por orifícios provocados pelo impacto da água. “Se for aplicado fungicida, as chuvas também não dão tempo para o produto agir. É um gasto à toa.”

OPÇÕES

Makishima explica que há, basicamente, duas opções para cultivos protegidos (Veja quadro). Uma é a casa de vegetação de plástico - ou estufa -, que deixa a horta protegida de chuvas e de noites frias. “A estrutura é de uma casa e, como tal, deve ser bem planejada”, aconselha. Já o túnel baixo tem a função guarda-chuva, pois, temporariamente, mantém a horta protegida. Por ter estrutura simples, pode ser desmontado na colheita.

Makishima afirma, porém, que ambos os ambientes devem ser controlados. A casa de vegetação, diz, normalmente, é construída conforme o clima e as necessidades de cada hortaliça e precisa ser monitorada constantemente. O túnel baixo também exige controle: se for necessário, ele deve ser aberto e fechado diariamente para regular as condições internas de temperatura e umidade. Purquerio dá a dica de manejo: “Deve-se abrir o plástico quando não estiver chovendo e fechar à noite para proteger a hortaliça do frio”.

Os arcos do túnel baixo fixados sobre os canteiros podem ser de bambu, PVC ou ferro. O plástico que cobre os arcos é transparente para permitir a incidência de luz. “É um material especial, que impede a passagem de raios ultravioleta.”

Para a estufa, Makishima diz que o pé direito pode ser de ferro ou de mourão de eucalipto, uma opção mais barata. No Sudeste, a dica é fazer o teto, de madeira ou ferro, em formato de arco, que reduz a incidência de raios solares e esquenta menos. As laterais podem ser de filme de polietileno de baixa densidade ou teladas. “Com o plástico, o interior esquenta mais; com a tela, a ventilação aumenta.”

ECONOMIA

Purquerio diz que o cultivo protegido pode ser mais econômico se aliado a um sistema de irrigação por gotejamento e à fertiirrigação. “O gotejamento é vantajoso porque a água cai apenas no pé da planta, evitando desperdício de água. A fertiirrigação, que é dissolver o adubo na água de rega, resulta em economia de tempo e mão-de-obra”, garante.

INFORMAÇÕES: Embrapa, tel. (0--61) 3385-9000; IAC, tel. (0--19) 3241-5188