Bispo alerta o País contra transposição
O bispo de Barra, dom Frei Luiz Flávio Cappio deflagrou ontem, em Brasília, mais uma ofensiva dos grupos que tentam fazer o governo mudar de idéia quanto ao projeto de Transposição das Águas do Rio São Francisco. Ele protocolou, no Palácio do Planalto, uma carta ao presidente Lula, propondo uma retomada do diálogo e oferecendo alternativas ao projeto. Dom Luiz também criticou duramente o ministro da Integração Nacional, Pedro Brito, a quem chamou de “uma versão piorada de Ciro Gomes”.
Cercado por representantes de vários movimentos, dom Luiz esteve no Palácio do Planalto, onde preferiu não falar com a imprensa.
Ele só aceitou falar numa entrevista coletiva previamente convocada, numa sala da Cúria Diocesana de Brasília. Como costuma fazer, o bispo leu toda a carta, que seria distribuída em seguida aos jornalistas.
Depois respondeu às perguntas e disse que “desta vez esperamos uma mudança na atitude do governo” que, segundo ele, vem discutindo o projeto “de cima para baixo, de uma forma autoritária e sem diálogo”. “Na carta dizemos que queremos retomar esse diálogo”, ponderou.
GREVE DE FOME – Perguntado sobre a possibilidade de fazer nova greve de fome, dom Cappio desconversou.
Disse acreditar no diálogo e ponderou que essa não era a hora para atitudes mais drásticas.
“Essa não é uma atitude pessoal, mas uma atitude que tem o respaldo de todos os movimentos sociais que se preocupam com a causa do Rio São Francisco e das suas populações ribeirinhas”, afirmou.
Para o bispo de Barra o ministro da Integração Pedro Brito “sempre andou na contramão do que foi conversado com o governo. Com as suas explicações ele procura confundir a opinião pública”.
Questionado sobre uma possível substituição do ministro, dom Luiz não disse claramente que pede a saída, mas ponderou que “o presidente pode ter uma alternativa melhor. A integração nacional tem tantas preocupações e esse é um ministro de um projeto só. Queremos alertar o presidente da República que, ao nomear um assessor tão importante, deveria fazê-lo indicando uma pessoa comprometida com as carências da população brasileira. Precisamos de um ministro mais inteligente, mais lúcido, mais comprometido”.
Quanto à posição do governador Jaques Wagner dom Luiz foi político: “Já conversei com o governador a respeito e falei que ele não integra mais o governo, mas que agora é o governador de um povo que é visceralmente contra o projeto. Portanto, queremos dialogar a respeito das propostas com todos”. Entre os presentes na coletiva estavam integrantes da Comissão Pastoral da Terra, da Cáritas, da CNBB, do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs e um baiano, Ruben Siqueira, da Pastoral da Terra da Bahia. Ele foi dos mais enfáticos, durante a coletiva, ao dizer que “esperávamos uma mudança de atitude neste segundo governo Lula, mas notamos que o governo pauta velhos caminhos, quando busca desenvolvimento econômico à custa de danos sociais e ambientais”.
JUAZEIRO – A luta pela preservação e revitalização do Rio São Francisco terá uma mobilização em ato público a ser realizado, no dia 26, em Juazeiro e percorrerá as principais ruas da cidade. O objetivo é sensibilizar a sociedade em defesa do rio, contra a transposição e construção das barragens Riacho Seco e Pedra Branca. A mobilização é promovida pelo Fórum de Defesa Permanente do São Francisco que reúne mais de 70 entidades da sociedade civil, em parceria com a Articulação Popular de Defesa do São Francisco. ( Colaborou Cristina Laura, da Sucursal Juazeiro)