Sinal de acordo para favorecer as exportações

23/02/2007

Sinal de acordo para favorecer as exportações


 

Apesar do ceticismo da iniciativa privada, a visita do presidente dos EUA, George W. Bush, ao colega Luiz Inácio Lula da Silva, no início de março, deve resultar em um acordo para incluir o etanol na lista de bens e serviços ambientais prevista no mandato negociador da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). 


Em linguagem diplomática, o texto deve mencionar a disposição de ambos para acelerar a "convergência de enfoques" ao tema estipulado no parágrafo 31 da Declaração de Doha. Com isso, poderiam ser reduzidas, e mesmo eliminadas, as barreiras tarifárias e não-tarifárias sobre o etanol. Mas não no curto prazo, já que as travas foram renovadas pelo Congresso dos EUA e valem até dezembro de 2008. Em 2006, as exportações brasileiras totalizaram 3,5 bilhões de litros, metade para os EUA. Até 2010, o Brasil deverá exportar 8 bilhões de litros de etanol. 


As discussões sobre o tema estão emperradas na OMC pela discordância entre países industrializados e em desenvolvimento. Negociadores de EUA, União Européia, Nova Zelândia e Coréia defendem a identificação de uma lista específicas de bens e serviços ambientais a serem beneficiados. Os demais querem ampliar o tratamento para qualquer projeto ambiental que possa vir a ser auxiliado pela isenção. 


No encontro, Lula e Bush devem assinar um memorando de entendimentos mais abrangente na área de etanol. O documento reafirmará o compromisso de ambos com a abertura de mercados, o estímulo à pesquisa e a criação de normas técnicas internacionais para o comércio. Os países devem estabelecer uma "parceria" para difundir o cultivo de cana em nações da América Central, África e Ásia, e potenciais produtores. 


Na área de pesquisa, a cooperação deve centrar-se no desenvolvimento de novas variedades mais produtivas de cana, na dominação do processo de extração de etanol da celulose e no sistema chamado de BTL, onde o produto é transformado em gás e depois viram um novo líquido. No âmbito comercial, os países trabalham com metas ambiciosas. Bush falou em substituir por etanol 20% do consumo dos 550 bilhões de litros de gasolina. O Brasil deve dar uma passo além ao propor a alteração completa da gasolina para o álcool. São consumidos 1,2 trilhão de litros atualmente no mundo. Com investimentos maciços no novo combustível, seria possível elevar de 7 mil para 50 mil litros por hectare a produtividade dos canaviais. Hoje, produz-se apenas 40 bilhões de litros de etanol de cana e milho.