Produção cresce entre os pequenos
Cerca de 7.600 famílias se dedicam à criação no País; safra este ano será de 8.255 toneladas de casulos
Graças ao estímulo para a produção de casulos verdes de bicho-da-seda, o Brasil vai produzir 8.255 toneladas de casulos na safra 2006/2007, ante 8.051 toneladas na safra anterior, segundo dados da Associação Brasileira da Fiação de Seda (Abraseda). Bom para o produtor familiar, que predomina na atividade. Ruim para a indústria, que terá de administrar grandes estoques de fios da seda, porque a demanda está caindo e a concorrência do produto chinês é acirrada, tanto no mercado interno quanto no externo.
A Abraseda calcula que 7.611 famílias se dediquem à sericicultura (criação do bicho-da-seda) no País, a maioria em pequenas propriedades. 'Em Mato Grosso do Sul, quase toda a produção vem de assentamentos de sem-terra', afirma Shigueru Taniguti Junior, gerente-comercial da Fiação de Seda Bratac, uma das indústrias que produzem fios de seda no País - em Bastos e Duartina (SP) e em Londrina (PR). A outra é a Fujimura, em Cornélio Procópio (PR). O Paraná produz 89% dos casulos, São Paulo, 6% e Mato Grosso do Sul, 5%. A criação funciona no sistema de integração. A indústria fornece as larvas e compra toda a produção.
FONTE DE RENDA
A sericicultura é uma importante fonte de renda para o município de Altônia, no noroeste do Paraná. 'Os 273 barracões injetam mais de R$ 200 mil ao mês na economia do município', calcula o presidente da Associação de Sericicultores de Altônia e da Federação Paranaense de Sericicultura, Ivanir Berno. Segundo ele, quem conduz bem a criação e tem amoreiras acima de 4 anos tira 250 quilos de casulo a cada 30 dias, o que significa de R$ 1.300 a R$ 1.500 de renda líquida mensal. O preço do quilo do casulo varia de R$ 5,75 a R$ 7,50, conforme o teor de seda.
No entanto, Berno diz que os produtores de Altônia estão desanimados. 'A criação estava indo muito bem, mas no dia 1º deste mês um avião agrícola pulverizou inseticida em lavouras de soja da região, causando a morte de larvas do bicho em massa', conta. Para minimizar as perdas, a Bratac, que compra a produção dos sericicultores, entregou, gratuitamente, uma criada de larvas aos mais prejudicados. De acordo com Berno, o Paraná tem 7.333 barracões de criação de bicho-da-seda.
MERCADO
Embora o mercado de seda não esteja favorável, Taniguti Junior aponta um nicho para os fios de seda produzidos no Brasil: Japão e grandes grifes da Europa. 'O País produz o melhor fio de seda do mundo, mas há muita oferta de produto chinês, a maioria de qualidade mediana', avalia. Além disso, o Japão tem fabricado menos quimonos e a demanda por seda é menor. 'Há uma ocidentalização de culturas e o aluguel de quimonos tem aumentado, como com os vestidos de noiva.'
Segundo a Abraseda, em 2006 o Brasil exportou 1.173 toneladas de fios. A previsão para 2007 é de 978 toneladas . O mercado interno absorveu, em 2006, 146 toneladas de fios de seda, ante 210 toneladas em 2005. A previsão para 2007 é de queda de 14% na demanda, ou 125 toneladas de fios de seda. Taniguti Junior também credita a queda à entrada do produto chinês, 'a maioria em forma de contrabando e subfaturado.'