Manga irrigada baiana vai para a Holanda

26/02/2007

Manga irrigada baiana    vai para a Holanda

 

 

Produtores rurais do Perímetro Irrigado de Maniçoba, em Juazeiro (a 500 km de Salvador) e que fazem parte da Associação dos Produtores de Manga Brasil, estão com a safra de manga do segundo semestre desse ano comprometida com o mercado da Holanda. Uma viagem na próxima semana servirá para fechar o acordo quanto ao preço do produto, que deve ser entre R$ 1 e R$ 1,50 o quilo mais bonificação de R$ 0,20 por manter a qualidade da manga e a pontualidade da entrega. A venda só foi possível graças à existência do Mercado Justo Solidário.
Com origem na Europa, esse tipo de comércio já existe há cerca de 30 anos no Brasil através de organizações não-governamentais.
Um dos princípios do mercado justo está na agricultura orgânica e tem como foco os pequenos produtores que estão organizados em cooperativas ou associações a exemplo da que foi formada em Maniçoba. Mas, dos 70 produtores da associação, apenas 40 devem fazer parte desse negócio.
O problema é que o restante não é dono de sua produção, pois foi obrigado a arrendar suas plantações a outras pessoas por não terem condições financeiras de manter o cultivo.

IN NATURA – Serão enviados para a Holanda 30 contêineres, sendo 24 com manga in natura e seis com polpa. “Infelizmente não vamos ter o volume significativo pela ausência das mangas dos outros 30 produtores que ficarão fora da comercialização”, afirma Antônio Nogueira Filho, de 36 anos que mora e planta no distrito de irrigação há 10 anos. Ele informa que o comércio holandês vai receber 690 toneladas de manga, 23 toneladas em cada contêiner.
Dono de 8,68 hectares irrigados de manga, banana e maracujá, ele espera que esse negócio seja mais uma oportunidade de realização para a safra do produto, que tem credibilidade no mercado europeu e quase 25 anos de entrada em outros países.
Em novembro do ano passado os produtores enfrentaram uma das piores crises na comercialização da manga com preços despencando para R$ 0,06 ou R$ 0,10 o quilo. Todos os produtores de manga, não só do perímetro irrigado de Maniçoba como Mandacaru, Curaçá e Tourão além de outros em municípios vizinhos, viram as mangas perderem no pé, sem preço e sem comprador.

DOAÇÃO – Alguns conseguiram fechar negócio com venda a R$ 0,60 de parte da produção para não ver perder, mas outros como José Alves dos Santos Filho, de 63 anos, preferiu dar a manga a parentes e conhecidos e perder outra parte a ter de “dar de graça a manga que foi cultivada com tanto trabalho e que teve custos tão altos”.
“Eu tinha 25 toneladas de manga por hectare para ser comercializada e perdi 17 toneladas”, conta, desolado, o produtor José Alves, que planta na área da localidade de Maniçoba há 25 anos, desde que o perímetro foi criado.
Deca, como é conhecido, disse que chegou a vender algumas mangas nas feiras em Juazeiro por R$ 3 o saco com 25 quilos. A situação agravou o setor, que ainda tenta se recuperar.
No campo, as mangueiras cheias de frutos da primeira safra que deve começar a ser colhida na segunda quinzena de março, tem mercado certo que geralmente pega as rodovias em direção a São Paulo e Paraná.