Famílias ribeirinhas resistem a deixar as moradias e enfrentam enchente

27/02/2007

Famílias ribeirinhas resistem a deixar as moradias e enfrentam enchente

Quem ainda permanece na Ilha de Canabrava, já quase deserta, está atento a cada subida do nível das águas do Rio São Francisco. Além das poucas famílias no local ainda restam muitos animais domésticos, bovinos e cavalos, que não foram retirados para áreas mais altas próximas ao rio.

Apesar de quase isolados em uma parte da ilha, a família de Maria Aparecida Silva, de 78 anos e cinco filhos, resiste em deixar o local. Em 1979, quando houve a que é considerada a maior enchente do Rio São Francisco nos últimos 30 anos, ela foi obrigada a se mudar às pressas do local, quando a água já estava dentro de casa.

“Vou esperar para ver se ela ainda vai subir desta vez. Se não vou ficar por aqui mesmo”, disse Maria Aparecida da Silva, demonstrando desolação total diante do drama causado pela enchente que enfrenta.

QUILOMBOLAS – Outra moradora que ainda resiste em deixar a ilha é Jocileide Novaes da Costa, 27 anos e quatro filhos.

Ela nasceu em plena cheia de 1979, quando sua mãe, Bertolina Maria dos Santos, teve que se mudar com toda a família para a área de quilombola de Piranhas, do outro lado do São Francisco.

“Foi lá que nasci”, diz Jocileide da Costa.

Na atual enchente, a maior que já presenciou – a outra foi a de 1992 –, Jocileide afirma que prefere aguardar para ver se as águas baixam. “Só vou sair em último caso”, diz, ao lado do pequeno grupo que ainda resiste em deixar a região, no pequeno espaço de terra, na parte mais alta da ilha, e que já está completamente cercado pela água.

Alguns moradores, no entanto, já decidiram por abandonar as suas casas, uma vez que todos foram resgatados e levados para outro local.