Ceplac: 50 anos em prol do cacau

01/03/2007

Ceplac: 50 anos em prol do cacau

O ministro interino da Agricultura, Luiz Gomes, disse, ontem, durante a solenidade dos 50 anos da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacauira (Ceplac), que o governo estuda uma solução criteriosa para a crise do cacau. O início foi a criação do Grupo Técnico, com participação de membros da cadeia produtiva do cacau, que em 60 dias vai apresentar propostas.

Gomes diz que há um sentimento de que o sul da Bahia é uma região privilegiada e pode ser um exemplo de produção diferenciada, através de uma agricultura socialmente justa e um turismo com preservação ambiental, para chegar a nichos qualificados no mercado mundial.

Luiz Gomes, que estava acompanhado do governador Jaques Wagner, do secretário de agricultura Geraldo Simões e outras lideranças políticas do Estado, afirmou que em suas ações no sul baiano o governo federal prioriza o papel fundamental da Ceplac, que há 50 anos gera a tecnologia de que a região precisa para recuperar a competitividade e valor agregado ao cacau e outros produtos.

O governador Jaques Wagner ressalta que em respeito ao produtor não pré-anuncia o que não pode cumprir, em relação ao cacau e à institucionalização da Ceplac. Diz, entretanto, que os produtores conseguiram uma prorrogação além do que se esperava e está trabalhando para convencer a equipe econômica a dar uma solução definitiva à dívida e reestruturação da cacauicultura. “Precisamos de uma solução para elevar a produtividade de quem quer viver da produção de cacau”, diz.

“A região não editará os anos de ouro do cacau, mas vai mudar, através de um trabalho profissional da Ceplac, que passa a contar com um Centro de Capacitação Tecnológica Agroindustrial, inaugurado ontem, para capacitar os produtores a agregar valor ao cacau, consorciado com outras culturas”, destacou. Para Wagner devese sempre destacar que foi a Ceplac a instituição que gerou pesquisas para superar a vassourade-br uxa.

O governador reconhece que enfrenta dificuldades para convencer o Ministério do Planejamento, mas há fortes setores de governo que conhecem o trabalho da Ceplac e sabem que a instituição é a síntese da região e vai ser institucionalizada, ganhando maior autonomia para atuar em suas três vertentes. A pesquisa, para inovar e superar dificuldades; o ensino, para formar novos técnicos, e a extensão, que faz a difusão da tecnologia no campo. “Conto com a Ceplac e a EBDA para modernizar e otimizar a agricultura da Bahia”, afirmou.

Já o secretário estadual de Agricultura, Geraldo Simões, disse que a região ainda não conseguiu uma solução para o cacau, porque não soube apresentar ao governo federal a importância econômica e ambiental da lavoura cacaueira, citando artigo recém-publicado no The New York Times, que alardeou o valor do chocolate produzido com o cacau do sul da Bahia, que garante a preservação da Mata Atlântica. Simões destaca a Bahia vai buscar parcerias, para verticalizar sua produção agrícola, como o convênio entre a Ceplac e a Petrobrás, para produção de biodisel de dendê.

Na manhã de onte, a Ceplac inaugurou o Centro de Capacitação Tecnológica Agroindustrial Euclides Neto, que está sendo saudado por agricultores regionais como um marco na produção de técnicas para o aproveitamento de matérias-primas da Mata Atlântica, a partir de um conceito conservacionista.

Instalada em 1,5 mil metros quadrados, na sede regional do órgão, situado no eixo Ilhéus-Itabuna, a unidade dispõe estrutura de laboratório para testar o aproveitamento para fins de comercialização do cacau e outros frutos regionais e de duas salas para palestras e cursos voltados para agricultores.

Segundo o pesquisador-chefe da Sessão de Tecnologia e Engenharia Agrícola da Ceplac, Raimundo Mororó, mesmo em crise, o cacau se mantém com importante fonte de desenvolvimento sustentável da região, por suas características ambientais e econômicas, aliado a novos produtos. O pesquisador acredita que o centro tecnológico surge como alternativa para que os agricultores fortaleçam economicamente seus produtos, na linha da produção sustentável.

*Criada em 20 de fevereiro de 1957, a Ceplac tem como foco a recuperação da economia da região, com ênfase no combate à vassoura-de-bruxa.

ANA CRISTINA OLIVEIRA