Consultor aponta virada de ciclo

01/03/2007

Consultor aponta virada de ciclo

Ocorrência de chuvas fortes tem dificultado o transporte de animais, além de ajudar a balizar a oferta 

 

O mercado do boi gordo está firme no Centro-Sul do País, em função das chuvas fortes que têm mantido as pastagens em boas condições. 'Além de dificultar o transporte do gado, isso ajuda o produtor a planejar as vendas', afirma o consultor Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria.

O mercado de reposição e de boi gordo está bastante firme, com oferta restrita, e a indústria está evitando mexer nos preços da arroba, segundo a analista de mercado de pecuária do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), Shirley Martins Menezes. 'Os frigoríficos estão com escalas de abate curtas e mostram-se cautelosos diante da demanda desaquecida', explica. Shirley lembra que no dia 21 a arroba estava valendo R$ 55,34 - Indicador Esalq/BM&F, aumento acumulado de 2,4% nos primeiros 21 dias do mês. Na mesma data, em 2006, a arroba valia R$ 50,25. 'Naquele mês, o preço caiu 4,9%, chegando ao mínimo de R$ 48,41, dia 23.'

VIRADA

'Essa alta pode ser um reflexo da virada de ciclo', avalia Tito Rosa. Para ele, um dos indícios da virada é o preço do bezerro de reposição, cujo mercado está bastante firme. 'No Rio Grande do Sul, houve uma reação forte no preço do bezerro, acima de 40%.'

O consultor aponta recuperação gradual dos preços ao longo de dois ou três anos. 'Se o bezerro recuperar-se, o produtor volta a reter matrizes, o que vai refletir no preço do boi gordo e da vaca gorda.'

Segundo Tito Rosa, a demanda por carne bovina vai continuar alta no mundo todo, o que, na sua opinião, é muito bom para o Brasil. Até porque, explica, os fortes concorrentes brasileiros estão enfrentando problemas. 'Argentina está praticando alto embargo; os EUA não se recuperaram da ocorrência da vaca louca, em 2003; a Austrália está no limite da produção e acaba de passar por uma seca bastante forte, o que vai refletir na produção, no médio prazo, e a Europa está com produção em queda, por causa da redução de subsídio', enumera.

'O cenário é favorável à oferta e à demanda nos próximos dois ou três anos', prevê Tito Rosa. 'Nesse período, o preço do boi e dos animais de reposição vai variar acima da inflação', prevê. Porém, o dólar em baixa pode segurar um pouco a recuperação de preços.' Outro ponto negativo, avalia, é a recuperação da agricultura, o que pode influenciar os custos para quem faz confinamento e semiconfinamento de gado, por causa do aumento do preço do grão. 'Com a agricultura em recuperação, o mercado de fertilizantes deve ficar aquecido e refletir no aumento do custo de adubação da pastagem.'