'Efeito China' deixa relatório do USDA em segundo plano e derruba os grãos

02/03/2007

'Efeito China' deixa relatório do USDA em segundo plano e derruba os grãos


As incertezas em relação ao futuro do crescimento da China, que voltaram a sacudir o mercado financeiro internacional ontem (dia 1º ), motivaram nova queda dos preços das commodities agrícolas negociadas na bolsa de Chicago.


No mercado de milho, onde a presença de fundos de investimentos e especuladores é crescente em virtude da "febre do etanol" nos Estados Unidos, os contratos com vencimento em março fecharam a US$ 4,1725 por bushel, em queda de 8 centavos de dólar, enquanto maio caiu 7,50 cents, para US$ 4,28.


No caso da soja, cujas cotações dispararam nos últimos meses graças sobretudo à influência do milho, maio recuou 25,50 cents, para US$ 7,62 por bushel; no do trigo, a queda do mesmo vencimento foi de 9 centavos de dólar, para US$ 4,79 por bushel. O colapso em Chicago também deixou como seqüelas baixas do trigo em Kansas e do algodão na bolsa de Nova York.





Guiados por movimentos dos fundos e de especuladores, esses mercados praticamente ignoraram as projeções de longo prazo divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Em parte pela força dos movimentos financeiros, mas também em razão da previsibilidade dos números anunciados. "Não houve surpresas", resumiu Renato Sayeg, analista da Tetras Corretora.


Conforme especialistas, os ajustes no cenário de longo prazo do USDA (até 2016) apresentados por Keith Collins, economista-chefe do órgão, confirmaram tendências e ficaram dentro das expectativas. Para o milho, matéria-prima para o etanol americano, o USDA elevou a previsão para a área plantada nos EUA de 34,8 milhões para 35,2 milhões de hectares, e passou a produção para 307,5 milhões de toneladas - 83,2 milhões apenas para o etanol, ante 55,4 milhões em 2006/07. Confirmadas, serão as maiores área e colheita em quase nove décadas.


Para a soja, que disputa espaço com o milho em território americano, Collins divulgou que a área plantada em 2007/08 cairá de 30,6 milhões para 28,5 milhões de hectares. "Apesar das especulações, esse é o fator que explica a recente valorização do grão [apesar do tombo de ontem]. No fim, são os fundamentos do mercado que prevalecem, não as turbulências especulativas", afirmou Hélio Sirimarco, trader da Fator Corretora.



Traders das bolsas americanas ouvidos pela agência Dow Jones Newswires, também não perceberam grandes novidades em estimativas de longo prazo do USDA para lavouras de trigo e algodão.



O secretário de Agricultura americano, Mike Johanns, também divulgou ontem novas projeções para as exportações agrícolas do país neste ano. De acordo com ele, os embarques renderão, no total, US$ 78 bilhões - um novo recorde histórico, US$ 9,3 bilhões acima do valor do ano passado. "Dois terços do crescimento previsto serão proporcionados pelas exportações de grãos e oleaginosas", afirmou o secretário em comunicado publicado pelo USDA.



Mas, apesar dessa concentração, Johanns também destacou as projeções de crescimento nas vendas externas de carnes e mesmo de produtos hortícolas. Estimativas de alta nos embarques de carnes bovina e de frango in natura foram particularmente salientadas na apresentação divulgada ontem.