Algodão do oeste nos EUA

05/03/2007

Algodão do oeste nos EUA

O algodão produzido na região do cerrado baiano foi escolhido pela Coteminas (a maior indústria têxtil do Brasil) para participar de um projeto piloto, que está fornecendo confecções de cama, mesa e banho para a rede varejista norteamericana JC Penney, desde o início de fevereiro.

A conquista do mercado nos EUA na disputa com o produto egípcio foi possível graças à iniciativa da Coteminas que estabeleceu, por meio de acordo com os produtores de algodão, o selo Pure Brazil Cotton, que garante a qualidade e denominação da origem brasileira nas peças destinadas ao mercado internacional.

Segundo o presidente da Associação dos Produtores de Algodão da Bahia (Abapa), Walter Horita, a opção pelo algodão baiano foi devido à logística, ao clima favorável à cultura, ao manejo sustentável e à topografia regional, que permite a mecanização em todas as etapas, importantes critérios para compra dos importadores.

A diferença do algodão egípcio – que é considerado um parâmetro mundial – para o algodão baiano, explica Horita, está relacionada, principalmente, ao tamanho da fibra e não à qualidade. “O algodão egípcio, por ter uma fibra mais longa que o nossa, produz um fio mais fino, de uma textura que proporciona mais conforto ao toque do tecido com a pele”. No entanto, ele ressalta que os produtores brasileiros estão conquistando espaço e mostrando ao mundo que o produto nacional também atende às necessidades como fornecedor dessa matéria-prima.

“Esse projeto da Coteminas vem agregar na luta dos cotonicultores brasileiros, pela conquista do mercado internacional”, afirma Horita, dizendo que, com o trabalho desenvolvido pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e as associações estaduais estaduais nos últimos quatro anos em cima de marketing para divulgar o produto brasileiro, gradativamente o mercado internacional reconheceu que o Brasil tem algodão de qualidade e produção suficiente para atender à demanda.

Horita explica que, até 2003, o algodão da Bahia se destinava basicamente ao mercado doméstico, pois, antes disso, o Brasil era importador de algodão. Entretanto, com o crescimento da produção nacional, o País e o Estado passaram a ser exportadores.

CHUVA – Nesta safra de 2006/2007, a estimativa é que serão produzidas no Brasil 1.350.000 toneladas, enquanto que o mercado interno deve consumir 900 mil toneladas. “Hoje temos contrato de exportação para quase 600 mil toneladas de algodão, basicamente para o sudeste asiático”, ressalta Walter Horita, acrescentando que os preços são baseados nas cotações da Bolsa de Nova Iorque.

O clima chuvoso dos últimos meses, apesar de excessivo para o algodão, cuja cultura não necessita de tanta umidade, tem sido favorável ao desenvolvimento das plantas na lavoura, que estão em fase de florescimento e devem estar prontas para a colheita em uma média de 70 dias.

“Até o momento, as chuvas têm sido favoráveis, proporcionando a expectativa de uma produtividade maior que a última safra”, destaca Horita. A estimativa é que a região alcance uma produtividade média de 255 arrobas por hectare de algodão em caroço.

Segundo consultor de agronegócios, Ivanir Maia, um dos agravantes da chuva é a necessidade de os produtores aplicarem mais produtos fitossanitários para o controle do bicudo, a principal praga dos algodoeiros, “pois, se o produto é aplicado e cai uma chuva em cima, ele é lavado das folhas e perdese o efeito desejado, surgindo a necessidade da reaplicação, o que onera a produção”.

MIRIAM HERMES