Indústria pesqueira inverte foco e mira mercado doméstico

05/03/2007

Indústria pesqueira inverte foco e mira mercado doméstico

 

As perspectivas de ampliação da captura de peixes no Brasil este ano, aliadas à perda de competitividade das exportações nacionais em virtude do câmbio, estimularam grandes indústrias pesqueiras do país a investir na ampliação das vendas no mercado doméstico.



Exemplo dessa tendência é a pernambucana Netuno Maior exportadora brasileira de pescados, a empresa obteve nas exportações - principalmente de lagosta e camarão, que encabeçam a pauta nacional - cerca de 70% de seu faturamento nos últimos anos. Em 2007 pretende elevar as vendas internas em 50%, numa guinada que tende a igualar o peso dos mercados externo e doméstico em sua receita.



Com a estratégia, o grupo projeta um faturamento total de R$ 265 milhões neste ano, pouco mais de 20% superior ao registrado em 2006. E isso, conforme Eduardo Lobo, diretor de vendas e marketing da Netuno, com preços praticados estáveis ou mais baixos, até porque a empresa fechou o ano passado com 4 mil toneladas em estoque.



Em 2006, a Netuno e outras companhias, exportadoras ou não, tiveram que lidar com alguns percalços que não deverão se repetir neste ano. No caso da lagosta, foi a redução das reservas naturais que afetaram a oferta; no do camarão, a captura foi abalada pelo surto de mancha branca em Santa Catarina, importante pólo de carcinicultura.



Também prejudicaram as exportações a queda de 25% nos preços do camarão enviado à Europa, principal destino dos embarques brasileiros do produto, e a decisão européia de aumentar o número de testes para detectar a presença de histamina em pescados (um indicador do frescor), em setembro, que provocou elevação de custos.