Encontro na Bahia vai discutir renda e qualidade
Cafeicultores de todo o País se reúnem na Bahia para discutir a recuperação de renda no setor e garantir, ao mesmo tempo, a manutenção da qualidade, que consolidou o País como maior produtor e exportador de café em todo o mundo. Os temas estão na pauta do 8º Agrocafé - Simpósio Nacional do Agronegócio Café, que acontece em Salvador, entre os próximos dias 5 e 7 de março. Durante os três dias do evento, serão abordados também a competitividade de produção e comercialização, estruturação e estratégias para a cafeicultura, importância da qualidade e das certificações agrícolas para o mercado, recuperação de renda do produtor e legislação. Paralelamente será realizado o III Fórum Nacional de Apoio à Cafeicultura Familiar e o Encontro Nacional do Café Conillon. Na oportunidade, vão ser ministrados cursos intensivos voltados para os produtores de café. Depois de superar a pior crise do setor, a cafeicultura brasileira aponta agora em direção à qualidade como alternativa para garantir a rentabilidade do setor, em um mercado cada vez mais competitivo. "Os cafés especiais serão o caminho para demonstrar o potencial e a tradição brasileira como principal produtor do café de qualidade", diz o produtor e presidente de honra da Assocafé, João Lopes Araújo, responsável pela organização do evento na Bahia. O encontro vai permitir que os cafeicultores debatam como ampliar as vendas no exigente mercado externo, além de melhorar a rentabilidade, que o câmbio baixo e os insumos em alta ameaçam desequilibrar. "Nós temos enfrentado dificuldades com o câmbio. Mesmo com a saca a U$ 130, sofremos com o custo do diesel, salários, defensivos, energia. Corremos risco de não garantir a evolução de qualidade, alternativa para se manter a competitividade internacional", alerta João Lopes, lembrando que há cinco anos chegou-se ao preço mais baixo do produto, U$ 37 a saca. O cafeicultor lembra que o Brasil sempre foi o maior produtor e exportador mundial do produto, e que é o segundo maior consumidor. "No ano passado, a produção foi de 42 milhões de sacas e, em 2007, a expectativa do setor é produzir 32 milhões de sacas. A planta do café dura décadas e, devido a essa característica, ela alterna seus picos de produção, ano a ano", diz João Lopes. Tecnologia Ele explica ainda que a Embrapa apresentará no Agrocafé técnicas inovadoras, como a suspensão, por período determinado, do fornecimento de água. "A medida provoca uma florada uniforme quando retomamos a irrigação no cafezal. Isso diminui o custo de colheita, mas só pode ser feito em locais de chuvas regulares, como a Chapada, que se presta bem à técnica", revela. Segundo João Lopes, a inclusão da Bahia entre os principais produtores nacionais se deve também a este fórum, que mantém a vanguarda das discussões relevantes. "Serão ministrados mini-cursos para o produtor, com novas técnicas de cultivo, produtos e usos como doces e sorvetes". A aplicação de defensivos com menos toxidade, dentro das modernas técnicas ecológicas, serão temas discutidos também por órgãos como o Instituto Agronômico de Campinas e universidades de Lavras e Viçosa (MG). (Gazeta Mercantil/Gazeta do Brasil - Pág. 12)(José Pacheco Maia Filho)