Café baianoé destaque em seminário
Estado ocupa quarto lugar no ranking e pretende colher 2,25 milhões de sacas na safra 2006/2007
Os cafeicultores que se destacaram na produção, exportação e industrialização em nível nacional e estadual foram premiados ontem, na abertura do 8o Seminário Nacional do Agronegócio Café (Agrocafé), que acontece até amanhã, no Hotel Pestana. Promovido pela Associação Baiana de Produtores de Café (Assocafé), com o apoio do Governo do Estado, o evento reúne cerca de mil produtores, empresários, técnicos e pesquisadores.
Os destaques de produção foram Maria Seixas Avena e Nelson Xavier Jones (local) e Cícero Viegas Cavalcanti (nacional). No quesito Exportação, foram premiados Sérgio Tristão (local) e Unicafé (nacional). Os destaques da indústria ficaram com Café Bahia (local) e Café Bom Dia (nacional).
Fazem parte também do seminário o 4o Fórum de Cooperativas e Associações de Café e o 3o
Encontro Nacional do Café Conillon. Acontece ainda o Fórum dos Secretários da Agricultura dos Estados Produtores, presidido pelo secretário da Bahia, Geraldo Simões. "Esse encontro é uma oportunidade rara de discutirmos políticas públicas para o setor. Depois de discutirmos essas idéias, poderemos levá-las aos chefes do Executivo para que possamos trabalhar juntos", disse Simões, que representou o governador Jaques Wagner no evento.
O representante do ministro da Agricultura, o secretário nacional de Produção e Agroenergia, Lineu Costa Lima, afirmou que o Brasil deve ampliar a sua produtividade. "Os investimentos em pesquisa cresceram cinco vezes nos últimos anos. Atingimos uma boa qualidade e agora devemos nos preocupar com a produtividade por área", declarou.
A Bahia ocupa hoje o quarto lugar no ranking nacional de produção de café. A expectativa é que na safra 2006/2007 sejam colhidos 2,25 milhões de sacas, sendo 1,7 milhão do tipo arábica. O chefe de Pesquisa e Desenvolvimento de Café da Embrapa, Roberto Passarinho, citou as recentes premiações de café baiano em concursos nacionais que medem a qualidade do produto. "A Bahia tem se destacado no cenário nacional pela qualidade do café produzido aqui, principalmente os cultivados nos municípios de Vitória da Conquista, Barra do Choça, Ibicoara e Piatã", explicou o pesquisador.
O estado conquistou o primeiro lugar no 3o Concurso Nacional de Qualidade do Café – categoria Melhor Café de Qualidade –, promovido pela Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic). O café premiado é produzido por Nelson Xavier Jones e Michael Freitas Alcântara, na Fazenda Divino Espírito Santo, no município de Piatã, na Chapada Diamantina.
A adoção de novas tecnologias e o fortalecimento da produção por meio de associações e cooperativas foram fatores importantes na conquista da primeira colocação da Bahia. Os premiados fazem parte do Programa Café, desenvolvido pela Secretaria da Agricultura (Seagri), com a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), que vem incentivando os produtores do estado e em particular os pequenos produtores familiares da Chapada Diamantina a adotar novas tecnologias para alcançar a competitividade necessária e mercados mais promissores.
A Bahia alcançou ainda o quinto lugar entre os 10 melhores cafés, na categoria Cafés Naturais, com a Fazenda Brejos do Aguiar, do produtor José Carvalho Soares, situada no município de Ibicoara. O concurso aconteceu em dezembro, no 14o
Encontro da Indústria Brasileira de Café (Encafé), em Guarapari, no litoral do Espírito Santo. Os resultados proporcionaram a venda de uma parte do lote, arrematado, via leilão, por R$ 4.430 a saca, pelo consórcio formado por três indústrias de processamento que estarão compondo a 3a Edição dos Cafés Especiais do Brasil.
Os cafés premiados adquirem preços especiais. Enquanto uma saca está sendo negociada hoje por cerca de R$ 250, um agricultor que teve seu produto premiado no concurso da Abic pode vendê-lo por mais de R$ 3 mil. "Nosso objetivo principal é melhorar, como temos melhorado, a qualidade do nosso café. Queremos ampliar a área plantada e a produtividade, mas a intenção maior é de tornar nosso produto conhecido pela sua qualidade", confirmou o secretário.
O presidente da Assocafé, Sílvio Leite, ressaltou na abertura do evento a grande evolução do setor na Bahia. "Em 2000, o estado exportou cerca de 42 mil sacas pelos portos baianos. Já no ano passado, este número ultrapassou a marca de 350 mil sacas. Apesar de a Bahia não ser o maior produtor brasileiro, é uma boa anfitriã e representante da cafeicultura moderna, de qualidade e de eficiência", ressaltou. Ele aproveitou ainda para anunciar a data da nona edição do Agrocafé, que acontecerá de 3 a 5 de março de 2008.